O Custo Econômico e Social dos Transtornos Mentais Graves

O Custo Econômico e Social dos Transtornos Mentais Graves

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) uma em cada quatro pessoas desenvolverá algum transtorno mental durante a vida. Os impactos dos transtornos mentais na qualidade de vida decorrem do comprometimento funcional com perda de produtividade no trabalho e isolamento social. Além disso, conduzem ao aumento da utilização de serviços de saúde, o que produz custos elevados para o sistema de saúde, para os indivíduos, suas famílias e custos menos mensuráveis, como o sofrimento individual e  familiar (Simon, 2003).

Estudos que utilizam como indicador o DALY ( Anos de Vida Perdidos Ajustados por Incapacidade), que compreende medidas simultâneas dos impactos dos problemas de saúde na mortalidade e na qualidade de vida dos indivíduos, apontam que os transtornos mentais ocupam posição epidemiológica importante (Schramm et al., 2004). Os transtornos mentais provocam 1% de mortalidade e 12% do total de incapacidades em todo mundo, destacando-se como um grave problema de saúde pública (Lopez e Murray, 1998).  Em 2010, cinco das dez principais causas de anos vividos com incapacidade (YLD – Anos Vividos com Incapacidade), em todo o mundo, pertencem à categoria dos transtornos mentais, a saber: transtornos depressivos, transtornos decorrentes do uso de álcool, esquizofrenia, transtorno bipolar e transtorno obsessivo compulsivo (Murray et al., 2012). No Brasil, estudos da Carga Global de Doenças, apontam que as doenças mentais contribuem de forma expressiva em todas as regiões do Brasil. Por exemplo, quando analisados os dados da região sudeste para o indicador YLD por 1.000 habitantes, observou-se que as doenças neuropsiquiátricas são responsáveis por 41% do total das incapacidades (Schramm et al., 2004).

Classificada como a nona causa mundial de incapacitação, a esquizofrenia resulta em um custo econômico imenso, sendo reconhecida como o transtorno mental de mais alto custo para a sociedade. As fontes para os custos da esquizofrenia são múltiplas e variam de custos diretos do fornecimento de cuidados (associados a hospitalizações, cuidados médicos e psiquiátricos e necessidades de reabilitação) aos custos indiretos devido à perda de produtividade, desemprego, falta ao trabalho, morte prematura e custos de assistência social (WHO 2008).  No entanto, os sistemas de saúde ainda não responderam adequadamente à carga dos transtornos mentais.

Na esquizofrenia, a não adesão ao tratamento em pacientes em uso de antipsicóticos é comum. Estima-se uma uma taxa de abandono do tratamento de até 25% nos primeiros dez dias após a saída de uma hospitalização psiquiátrica  e de mais de 50% após um ano (Oehl, et al. 2000). Sabemos que 1 a 10 dias sem o uso da medicações antipsicótica o risco de recaída e hospitalização aumenta em 2 vezes (Weiden et al. 2004). A falta de adesão é considerado o fator isolado mais implicado em re-hospitalizações dos pacientes com esquizofrenia. Outros fatores também são considerados fatores de risco para recaídas e novas hospitalizações, nesses pacientes e nos portadores de depressão crônica. Entre eles o estresse, dificuldades pessoais e a vivência em ambientes familiares negativos.

Além de estarem sujeitos a maior número de hospitalizações e duração maior dos internamentos, os pacientes com recaídas apresentam evolução desfavorável da doença (Pesa et al., 2015). São muitos os indicadores, como aumento do tempo necessário para atingir nova remissão dos sintomas após abandono ao tratamento, aumento da incapacidade cognitiva, funcional, e do estigma, maior necessidade de atendimentos de urgência e aumento das taxas de tentativas de suicídio. Postula-se um aumento da neurotoxicidade nos casos reagudização psicótica como sendo a mediadora do pior prognóstico, mas outros fatores podem estar também envolvidos, inclusive os psicossociais (McGlashan, 2006). No conjunto a consequência é a necessidade de se  fazer maior uso dos recursos de saúde em geral (Fitzgerald et al., 2009).

Nesse contexto, os antipsicóticos injetáveis de longa ação (LAI) podem ter um papel importante. Eles apresentam eficácia reconhecida em consensos internacionais de especialistas no tratamento da esquizofrenia (Kane et al., 2009).  Podem ser indicados em situações de não ou má adesão ao tratamento, intolerância aos medicamentos orais e por preferências pessoais. A efetividade dos LAI’s  refletiu também em maiores níveis de satisfação das equipes, dos pacientes e seus familiares (Waddell et al., 2009). O uso de antipsicóticos injetáveis contribui consideravelmente para a redução dos custos com recursos hospitalares e mostrou maior efetividade nas re-hospitalizações, quando comparado com os antipsicótios orais (Tiihohen et al., 2017).

Mais intervenções psicoterapêuticas e novas tecnologias tiveram também comprovadas suas eficácias no tratamento e prevenção de recaídas dos transtornos mentais severos. Entre elas destacam-se a Terapia Cognitivo-Comportamental, protocolos padronizados de Terapia Familiar (Pilling et al., 2002) e medicamentos inovadores nos casos transtornos depressivos crônicos (Katalinic et al., 2013). Principalmente nos casos dos transtornos mais graves, os estudos têm indicado que a combinação de tratamentos é superior ao uso dos modos de intervenção de forma isolada (Thase et al., 1997). Evidencia-se a necessidade da criação, treinamento e integração de equipes multidisciplinares para o tratamento da esquizofrenia e outros transtornos mentais graves.

Salmo Zugman.

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