Psicoeducação familiar na esquizofrenia

Psicoeducação familiar na esquizofrenia

PSICOEDUCAÇÃO FAMILIAR NA ESQUIZOFRENIA

O uso adequado da medicação é essencial para o sucesso do tratamento da esquizofrenia. Mas existem  intervenções adicionais com potencial para aumentar a superação, a qualidade de vida e reduzir as taxas de recaídas (Pitshel- Walz, 2001).

Existem evidências que as pessoas com esquizofrenia são altamente sensíveis ao ambiente emocional. Vários estudos identificaram que esses indivíduos, quando pertencentes a famílias com níveis altos de expressão negativa de emoções, apresentavam pior evolução. Inclusive com número maior de hospitalizações. Além da falta de adesão correta aos medicamentos, fatores familiares poderiam influenciar no fenômeno conhecido como “porta giratória”. A situação em que vários pacientes, após receberem alta estabilizados de seus internamentos, rapidamente são trazidos por seus familiares para retornarem aos hospitais.

As emoções negativas identificadas foram os comentários críticos, a hostilidade e a superproteção com envolvimento excessivo nas vidas dos pacientes. O problema das emoções negativas é comum a outros transtornos mentais, mas foi teorizado que elas interagem com a dificuldade dos pacientes em processar emoções complexas e de se manterem atentos em ambientes carregados emocionalmente. Falta também aos pacientes habilidades de comunicação social. Como os pacientes com esquizofrenia são particularmente dependentes do apoio de seus familiares, o conceito de “emoções negativas” é importante para o desenvolvimento de intervenções familiares de psicoeducação.

Uma série de intervenções familiares foi testada empiricamente nos últimos anos com resultados promissores. Recentemente foi apresentada uma extensa revisão sobre o efeito de intervenções de psicoeducação de baixa complexidade, para familiares de pacientes com esquizofrenia e transtornos similares, em ambiente extra-hospitalar (Cochrane, 2014). Apesar da qualidade dos dados ter sido considerada muitas vezes insuficiente, os resultados indicaram que as intervenções podem reduzir o risco de recaídas e melhorar a aderência aos medicamentos. Os custos dos programas de psicoeducação familiar podem ser compensados com a redução das hospitalizações e do uso de outros serviços. (McFarlane, 2003)

É importante que os grupos familiares de psicoeducação apresentem as mesmas características comuns e não específicas das diferentes intervenções psicoterápicas. Por exemplo, acolhimento, escuta empática, apoio emocional e uma expectativa de que o tratamento seja benéfico. Além disso, os programas devem também incluir, em proporções variadas, uma explicação da esquizofrenia e outros transtornos mentais e seus tratamentos, orientação sobre recursos clínicos existentes a serem utilizados em períodos de crise, instruções de como aumentar a rede comunitária e social e treinamento em técnicas de resolução de problema e de habilidades de comunicação.

Os grupos podem ser restritos apenas a uma família ou podem ser multifamiliares. O programa pode ser oferecido também para cuidadores não familiares. Em alguns programas apenas os familiares são incluídos e em muitos também estão presentes os não familiares. Os grupos podem ser realizados na casa, em serviços de saúde ou em locais comunitários. Tanto familiares como cuidadores devem ser considerados como parceiros e não como passíveis de tratamento. A realização de psicoterapia individual ou de família não apresentou efeitos aditivos sobre as taxas de recaída ou de novas hospitalizações.

Não foi possível identificar características de famílias ou de pacientes que pudessem se beneficiar mais da psicoeducação familiar. A avaliação sobre quando indicar a psicoeducação deve incluir a presença de familiar em contato contínuo com o paciente,  o interesse do paciente e de seus familiares, considerações sobre a existência de intervenções alternativas e esclarecer que os medicamentos não podem ser interrompidos (Dixon, 2000). Os grupos de maior duração de acompanhamento apresentaram melhores resultados. O compromisso deve ser de pelo menos por nove meses. Para pacientes desacompanhados, outros tratamentos psicossociais individuais, focados na esquizofrenia, foram desenvolvidos e também com influência positiva nas taxas de recaídas.

Referências

Dixon, L.; Adams, C. & Lucksted, A. (2000). Update of Family Interventions in Schizophrenica. Schizophrenia Bulletin, 26 (1):5-20.

McFarlane, W. R.; Dixon, L.; Lukens, E. & Lucksted, A.(2003). Family Psychoeducation and Schizophrenia: Review of Literature. Journal of Marital and Family Therapy, 29 (2):223-245.

Pharoah, F.; Mari, J. & Wong, W. (2010). Family Intervention for Schizophrenia (Review). The Cochrane Library, Issue 11

Pitshel- Walz, G.; Leucht, S.; Bauml, J.; Kissling, W. & Engel, R. R. (2001). The Effect of Family Interventions on Relapse and Rehospitalization in Schizophrenia – Meta-analysis. Schizophrenia Bulletin, 27 (1):73-92.

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