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05/07/2021A infância é um momento caracterizado pelo aparecimento de diversas questões. Algumas crianças tendem a manifestar cerca dificuldade para ler e entender o conteúdo lido, demandando mais tempo para se concentrar em um texto que, para outras crianças, é algo simples. Isso pode ser decorrente da dislexia, que possui alguns tipos específicos.
Diferentemente do déficit cognitivo, déficit de atenção ou do retardo mental, a dislexia é um transtorno do neurodesenvolvimento que afeta habilidades básicas de leitura e linguagem. É um quadro que precisa ser levado a sério desde o início das suas manifestações. Dessa maneira, o tratamento consegue minimizar os impactos no desenvolvimento mental e social daquela criança.
Continue a leitura para conhecer um pouco mais dos tipos de dislexia.
Conceito e definição de dislexia
O conceito de dislexia aparece na literatura desde meados de 1600, conhecida, na época, como dislexia do desenvolvimento. Critchley (1967) elucida que a dislexia pode ser entendida como o atraso na aquisição da aprendizagem da leitura.
Desde essa primeira ideia de conceito, a dislexia vem sendo estudada com base nos seus diversos subtipos. Mesmo séculos depois, apesar dos avanços da tecnologia na ciência, ainda há controvérsias sobre as manifestações desses subtipos e as possíveis etiologias que possam explicar a ocorrência da dislexia.
Alguns estudos apontam que a dislexia é caracterizada por algum comprometimento nos sistemas cerebrais responsáveis pelo processamento fonológico. Isso origina a dificuldade para processar os sons das palavras e associá-los com as letras ou sequências de letras que os representam.
Assim, os disléxicos demonstram ter dificuldade em aceder às regiões responsáveis pela análise de palavras e pela automatização da leitura, recorrendo mais à área de Broca (área frontal inferior esquerda) e a outras zonas do lado direito do cérebro que fornecem pistas visuais.
Outro ponto bastante comum nos casos de dislexia são déficits nas funções executivas, dificuldades no processamento auditivo e/ou visual e desenvolvimento psicomotor.
Por isso, devido a esses tipos de comprometimentos e dificuldades, a dislexia é considerada um transtorno específico de aprendizagem. Seus sintomas geralmente afetam o desempenho acadêmico sem que haja outra alteração (neurológica, sensorial ou motora) que justifique as dificuldades observadas.
Existem várias teorias difundidas pelos estudiosos da área e uma das mais tradicionais e atuais é a teoria do déficit fonológico. Assim, os defensores dessa teoria defendem a ideia de que a dislexia é relacionada às alterações de consciência fonológica, ou seja, o paciente tem dificuldades para perceber e manipular segmentos sonoros (sílabas e fonemas) das palavras (Castles & Coltheart, 2004; Goswami & Bryant, 1989). Dessa forma, o problema primordial da dislexia estaria no processamento fonológico, que prejudica a capacidade de converter os sons da fala em letras, impedindo a realização da leitura fluente (Vellutino et al., 2004).
Tipos de dislexia
Entender os tipos de dislexia é um caminho recomendável para o tratamento de pacientes, uma vez que essa identificação pode ajudar a equipe profissional envolvida no caso a descobrir quais intervenções serão mais eficazes. Os tipos de dislexia mais comuns são:
- Dislexia Auditiva ou Disfonética
É o tipo mais comum atualmente. Nesses casos, o paciente apresenta dificuldade na diferenciação, análise e nomeação de sons na fala, impactando também na nomeação de rimas e séries.
A principal característica deste subtipo é a dificuldade da integração grafema (letra)-fonema (som). Sendo assim, o ato de soletrar é algo que o paciente tem extrema dificuldade, justamente por não conseguir separar as palavras em sílabas.
Outro ponto é a dificuldade de diferenciar letras e palavras que tenham sons semelhantes. Isso porque, em grande parte dos casos, o paciente não percebe que os sons iniciais e finais de certas palavras são iguais, trocando a ordem das consoantes e confundindo dígrafos.
Ademais, podem apresentar problemas na memória auditiva. Como consequência, tendem a escrever muito devagar e podem rasurar o texto várias vezes, devido à sua insegurança em soletrar as palavras.
- Dislexia Visual ou Diseidética
Os pacientes com dislexia visual demonstram ter dificuldade em tarefas que envolvam percepção e discriminação visual. Dessa forma, não conseguem discriminar muito bem os tamanhos e formas das coisas, causando confusão também em grupos de letras e na dificuldade em transformar letras em sons.
Uma manifestação bastante comum, por exemplo, é trocar o /b/ por /d/. Isso se dá por terem dificuldade em diferenciar palavras e letras que sejam visualmente parecidas.
Assim, a escrita tende a ser inconstante, apresentando letras de tamanhos diferentes, omissões, rotações, inversões, sendo as emendas e as rasuras frequentes.
- Dislexia Mista ou Visuoauditiva
A dislexia mista é a presença de mais de um tipo de dislexia, provocando praticamente quase a total incapacidade para a leitura. Dessa maneira, a dificuldade dos pacientes se dá tanto na análise fonética das palavras como na percepção de letras e palavras completas.
- Disortografia
Esse subtipo de dislexia é mais voltado para a escrita e consiste na inaptidão para se comunicar por meio de grafemas ou letras correspondentes. Nesse caso, há uma dificuldade em realizar a associação correta entre os fonemas e os grafemas. Além disso, há peculiaridades ortográficas de algumas palavras em que essa correspondência não é tão clara, bem como as regras ortográficas.
Logo, entende-se que o paciente demonstrará comprometimento na capacidade da expressão escrita, especialmente a precisão ortográfica, a organização, estruturação e composição de textos escritos. Ademais, a construção de frases é pobre (principalmente em casos em que seja necessário o uso da norma culta) e há bastantes erros ortográficos.
Ademais, acredita-se que suas causas estejam baseadas nas deficiências de percepção e de memória visual e auditiva, déficit ou imaturidade intelectual, problemas de linguagem e baixo nível de motivação. Nesses casos, é necessário que haja o desenho de um método particular de ensino que inclua técnicas que se ajustem às necessidades diferenciais e individuais do aluno, respeitando o ritmo de aprendizagem.
Os casos de dislexia têm aumentado ao longo dos anos, elucidando a importância de estarmos bem atentos ao que acontece na idade escolar das crianças. A rede de apoio precisa acompanhar de perto o desempenho escolar da criança, para que consiga estar presente quando os principais sinais de dislexia surgirem.
Assim, com o tratamento correto, todos os tipos de dislexia podem ser superados. A psicologia fornece o apoio necessário para os sujeitos conseguirem encontrar as maneiras personalizadas de assimilarem o conteúdo compartilhado e conseguirem responder de forma saudável aos estímulos visuais e escritos.
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