Danos causados por drogas no Reino Unido: análise baseada em critérios múltiplos

Danos causados por drogas no Reino Unido: análise baseada em critérios múltiplos

Danos causados por drogas no Reino Unido: análise baseada em critérios múltiplos

 

Muitas substâncias, inclusive o álcool e os produtos do tabaco, são causas importantes de prejuízos individuais e sociais. Por esse mesmo motivo várias drogas estão classificadas como de risco pela Convenção de Drogas Narcóticas de 1961 e pela Convenção de Substâncias Psicotrópicas de 1971 da Organização Mundial de Saúde. Outras drogas, notadamente o álcool e o tabaco, são regulamentadas através de taxações e restrições de venda por idades específicas.

Uma avaliação adequada de danos causados pelas drogas informa a tomada de decisões nas áreas da saúde, segurança e assistência social.  Essa tarefa não é fácil, tendo em vista as múltiplas maneiras que as substâncias podem ser causa de prejuízos. Sendo assim, grupo independente de especialistas reuniu-se em simpósios e seminários para padronizar critérios de dano para então aplica-los em 20 drogas mais relevantes, lícitas e ilícitas, no Reino Unido. Os parágrafos a seguir relatam os resultados desses trabalhos.

Foram definidos 16 critérios de danos, divididos entre intrínsecos físicos e psicológicos e extrínsecos, como os custos sociais e de cuidados de saúde. Nove itens foram relacionados a danos causados à própria pessoa e sete aos causados a terceiros e à sociedade. Para os critérios sociais também foi considerado a importância do impacto segundo o número estimado de usuários.

Cada droga foi pontuada de zero a 100 para cada um dos critérios individuais. Sendo que zero na ausência e 100 para o máximo prejuízo. As pontuações foram constantemente reavaliadas. Por exemplo, quando duas drogas tivessem pontuações semelhantes para um mesmo critério e ainda assim uma pudesse ser considerada mais danosa que outra. Como resultado das retribuições, todas as escalas foram uniformizadas em unidades de dano, permitindo as comparações entre as drogas. As pontuações foram totalizadas para cada substância e elas foram classificadas segundo as mais e as menos prejudiciais. Também foram analisadas duas dimensões em separado, uma com os danos para o indivíduo e a outra com os para a sociedade.

A droga mais prejudicial para o usuário foi a heroína, seguida pelo crack/cocaína, metanfetamina e álcool. O álcool foi o mais prejudicial para terceiros e por uma margem grande, seguido pela heroína e pelo crack/cocaína. Quando as duas dimensões foram combinadas, o álcool se destacou como a droga mais prejudicial in toto, seguido pela heroína e pelo crack/cocaína. A metanfetamina pontuou como a terceira mais prejudicial para o usuário, mas com pouco impacto contra terceiros. Todas as outras drogas foram causa de menos danos que o álcool, a heroína e o crack/cocaína para os usuários, para terceiros ou no todo. A mortalidade foi um fator específico substancial de dano para cinco substâncias: álcool, heroína, GHB, metadona e butano. E o custo econômico foi maior para o álcool, heroína, tabaco e cannabis.

Os resultados desse trabalho corroboram a visão largamente difundida que o álcool é extremamente prejudicial, tanto para os usuários como para a sociedade. Ele foi a droga classificada como primeira mais prejudicial no total e para a sociedade e a quarta mais prejudicial para o usuário. O álcool foi considerado mais letal que muitas drogas ilícitas, como a cannabis, o LSD e os cogumelos alucinógenos.

Algumas drogas podem trazer benefícios, se não elas não seriam utilizadas. Entretanto os benefícios podem ser atenuados devido a um aumento da tolerância e o aparecimento de sintomas de retirada. Outras, como o álcool e o tabaco, trazem benefícios pot criarem empregos e gerarem impostos. Outras limitações do estudo são a não avaliação dos efeitos do uso múltiplas de drogas, a utilização da mesma droga por diferentes rotas de administração e o padrão de utilização.

Os especialistas concluíram que aparentemente os sistemas classificatórios atuais não levam apenas em consideração os danos potenciais relacionados com a utilização de cada droga em particular. E eles estão de acordo sobre a necessidade do desenvolvimento de estratégias agressivas de saúde pública contra a utilização do álcool pela sociedade.

Em suma, os especialistas participantes concordam que as políticas de saúde mental deveriam ser mais focadas nas drogas ilícitas com os maiores potenciais de dano, como a heroína, o crack, a cocaína e a metanfetamina. Mas também focar nas drogas lícitas mais prejudiciais, como o álcool e o tabaco. Já outras drogas com menor potencial de dano, como a cannabis, o ecstasy, a cetamina e os cogumelos alucinógenos, poderiam receber um grau de prioridade menor.

Referência:

Nutt, D. J.; King, L. A. & Phillips, L. D. (2010). Drug harms in the UK: a multicriteria decision analysis. The Lancet, 376:1558-1565.

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