Ludoterapia: O que é e Como é Utilizada com Crianças

Ludoterapia: O que é e Como é Utilizada com Crianças

Um dos desafios do atendimento psicoterapêutico é adaptar as técnicas da abordagem escolhida da Psicologia para a realidade do paciente, buscando usar recursos que estejam alinhados com o perfil do paciente, como a ludoterapia. Dessa forma, ele se sentirá mais confortável para compartilhar as angústias que esteja sentindo.

Nesse sentido, quando se trata de crianças, o tratamento segue uma lógica ainda mais singular e a ludoterapia é uma técnica extremamente eficiente e recomendada. É uma técnica que utiliza jogos e brincadeiras, por exemplo.

Continue a leitura para entender como a ludoterapia funciona na prática.

O que é ludoterapia

A palavra ludoterapia vem da palavra latina “ludos”, que significa jogo. Dessa forma, é possível entender que ludoterapia é um conjunto de atividades lúdicas e terapêuticas que servirão como ponte para acesso ao mundo simbólico e real da criança, ajudando-a a se sentir mais confortável para expressar os seus sentimentos e angústias.

Melanie Klein foi a primeira pessoa a apresentar a ludoterapia como uma possibilidade de tratamento de crianças em 1920. A psicanalista foi responsável por desenvolver um método de brincar para analisar o comportamento das crianças que atendia, o que permitiu a ela ter acesso ao inconsciente delas, além das memórias e experiências recalcadas das crianças.

Segundo ela, o ato de brincar permite que a criança consiga mostrar as fantasias, interesses e apreensões que são projetados nos brinquedos e jogos que ela se envolve ao longo da sessão, principalmente quando é trabalhado temas relacionados aos pais.

Anna Freud, a filha mais nova de Sigmund Freud, também elaborou estudos sobre a ludoterapia. Contudo, sob uma ótica um pouco diferente da trabalhada por Melanie, visto que Anna acreditava que o brincar é uma forma de auto expressão, não de representação simbólica do “eu” interior da criança. 

O ato de brincar em terapia se tornou uma técnica característica de diversas abordagens da Psicologia, como a Psicanálise, Humanismo e a Terapia Cognitivo Comportamental, por exemplo. Logo, a ludoterapia se consolida como uma possibilidade diagnóstica e terapêutica nos atendimentos.

Como funciona a ludoterapia

O primeiro passo para que a ludoterapia aconteça é a existência de vários recursos para que a criança consiga brincar, como:

  • jogos de tabuleiro;
  • brinquedos;
  • bichos de pelúcia;
  • bonecas;
  • papel;
  • lápis de cor;
  • entre outras coisas que o terapeuta identificar que seria útil para o tratamento.

O terapeuta não deve escolher qual atividade o paciente deverá fazer na sessão, pois o intuito é justamente deixar que a criança escolha o que se sentir mais confortável para brincar. Uma vez que ela escolhe com o que brincar, o terapeuta entra na brincadeira como parceiro.

Caso a criança queira brincar sozinha, o terapeuta deve deixar, acompanhando a maneira como ela lida com aquela ferramenta. A partir do momento em que a criança estiver envolvida na brincadeira, o terapeuta deverá observar as brechas que ela dá para que sejam trabalhados temas mais complexos. 

O terapeuta pode perguntar sobre quem são os personagens envolvidos na brincadeira e, a partir disso, investigar o papel dessas pessoas na vida da criança. Ademais, a maneira como a criança se comporta quando brinca também é um direcionamento para o terapeuta estruturar uma hipótese diagnóstica e pensar em intervenções assertivas para serem trabalhadas durante a sessão.

Por que aplicar ludoterapia

Um dos motivos pelos quais a ludoterapia é extremamente eficiente é o fato de que as crianças têm, normalmente, mais dificuldade para demonstrarem o pensamento abstrato. Isso acontece porque elas não entendem a complexidade em separar algo específico, além de enxergarem um procedimento complexo como uma experiência única.

Outro ponto é o fato de que as brincadeiras são uma alternativa mais leve para a criança falar sobre os seus sentimentos. Isso porque ela fala sem sentir que está trabalhando os aspectos comportamentais por trás deles.

Ademais, a criança não tem um vocabulário muito bem desenvolvido, tornando mais difícil ela se expressar de forma tão assertiva durante as sessões. Através da ludoterapia, ela aprenderá a refinar seus pensamentos, emoções e comportamentos sem precisar usar uma linguagem muito elaborada. 

Segundo Vygotsky, o fato de brincar é importante para o desenvolvimento infantil, visto que possibilita à criança transformar os brinquedos no que quiser, independentemente da função que estes tenham. A brincadeira e os brinquedos escolhidos para ela representam o conteúdo manifesto, além da representação simbólica da brincadeira que seria o conteúdo latente, ou seja, o que significa para a criança. 

Exemplos práticos de atividades de ludoterapia

Desenhos

Através do desenho, a criança fala muito. Ele é uma das ferramentas que faz com que a criança consiga externalizar as suas angústias e perturbações. Além disso, as cores que ela usa, bem como a força que aplica no lápis ajuda o terapeuta a entender também traços da personalidade

Faz de conta

O ato de fazer de conta é outra possibilidade de acesso aos sentimentos da criança, podendo ser feito através de bonecos ou até mesmo com interpretações de papéis.

Como é uma atividade que imita a vida real, ele pode ser usado para simular a dinâmica familiar ou escolar e assim, conseguir identificar fatores problemáticos.

Além disso, é por meio dela que se torna possível explorar da criança o que ela está sentindo falta na vida real, por exemplo.

Jogos

Os jogos que podem ser usados são praticamente infinitos, seja o jogo da velha, tabuleiro, memória, baralho, bola de gude, e diversos outros. Todos eles são uma ferramenta extremamente valiosa para entender como a criança pensa e raciocina. Eles também permitem trabalhar a frustração e competitividade, bem como elucidar as maiores preocupações da criança durante o jogo. 

A ludoterapia é uma técnica muito valiosa para o terapeuta clínico, podendo ser utilizada em diversas abordagens da Psicologia, dentre elas a Terapia Cognitivo Comportamental. Cabe, então, ao terapeuta usá-la como aliada no tratamento, por potencializar as alternativas de intervenção e, consequentemente, o desenvolvimento da criança.

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