O que é Fibromialgia? – Saiba o que é, Sintomas e Tratamentos

O que é Fibromialgia? – Saiba o que é, Sintomas e Tratamentos

A fibromialgia é uma doença caracterizada por dor crônica que atinge várias partes do corpo, se manifestando mais intensamente nos tendões e articulações. Porém, há também um aspecto psicológico envolvido nela. Por isso, é importante entender o que é fibromialgia para realizar um tratamento multidisciplinar.

As dores estão relacionadas ao funcionamento do sistema nervoso central, mais especificamente ao mecanismo de supressão de dor. A incidência da doença é expressiva em mulheres entre 35 e 50 anos, mas também é evidenciada em crianças, adolescentes e idosos. Contudo, a cada 10 pacientes, 7 a 9 são mulheres.

Assim como grande parte das doenças, a fibromialgia tem relação direta com o aspecto psicológico de cada paciente. Não existe um tratamento padrão, mas sim alternativas que, combinadas, conseguem proporcionar maior qualidade de vida.

Ficou curioso, né? Então continue a leitura, pois falaremos mais sobre o diagnóstico e tratamento da fibromialgia.

O que é Fibromialgia?

A Síndrome da Fibromialgia (SFM) foi reconhecida como doença pela OMS em 1992, sendo incluída na CID-10 com o número de código M79. Porém, a relação da doença com o âmbito psicológico ainda provoca debate entre os estudiosos.

O olhar físico da doença se refere aos vários sintomas físicos manifestados pelos pacientes, como enxaqueca, síndrome do intestino irritável e diversos outros. Além disso, o American College of Rheumatology, em 1990, classificou a fibromialgia dentro da categoria de doenças reumáticas, com precisão de 85%.

Ademais, é evidente a alteração dos padrões de sono, mudanças no humor e interação nos mecanismos de dor periférica e central, reforçando o conceito da fibromialgia enquanto doença física.

O aspecto psicológico da SFM pode ser ilustrado de diversas formas, desde acidentes, intervenções medicamentosas, complicações clínicas diante outras comorbidades e, acima de tudo, traumas emocionais.

O ambiente tem grande influência no desenvolvimento da fibromialgia, visto que eventos estressantes podem provocar o aparecimento de sintomas da doença. É comum, por exemplo, que acometa pacientes que já tenham sofrido algum tipo de abuso, seja físico, psicológico e/ou sexual.

Esses traumas normalmente ocorrem durante a infância e adolescência, podendo ser negligência parental ou a violência de fato. Esses episódios tendem a provocar a desregulação dos mecanismos de resposta ao estresse, o que pode antecipar o desenvolvimento da SFM e de outras condições crônicas.

Para entender melhor sobre estresse pós traumático, veja este artigo.

A intensidade dos estados afetivos negativos acaba originando o aumento da intensidade da dor, episódios de raiva extrema, irritabilidade e desgaste físico e mental. Assim, esses sujeitos geralmente se sentem isolados, incompreendidos e rejeitados, somatizando sintomas.

Quais são os sintomas da Fibromialgia?

A dor generalizada é o principal sintoma da SFM, podendo ser definida como cansaço constante. É uma dor não tão forte, porém espalhada por todo o corpo, prevalecendo por, pelo menos, três meses.

Alguns estudos apontam que a dor acontece devido a uma modificação na estimulação repetida dos nervos. Isso aumenta algumas substâncias químicas que sinalizam a dor para um nível anormal, como os neurotransmissores.

Para completar, os receptores de dor do cérebro desenvolvem uma espécie de memória para dor, ou seja, se tornam mais sensíveis. Consequentemente, estes receptores tendem a reagir desproporcionalmente a sinais de dor.

De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, da quinta edição (DSM-V), a Síndrome da Fibromialgia é caracterizada por alguns sintomas mais frequentes, como:

  • Fadiga constante;
  • Cansaço insaciável, ou seja, por mais que o sujeito durma e descanse por horas, ele ainda se sente profundamente cansado;
  • Distúrbios do sono, podendo ser evidenciados como apneia, síndrome das pernas inquietas e diversos outros;
  • Dificuldades cognitivas demonstradas através da falta de concentração, dificuldade de se lembrar de alguns fatos, comprometimento da comunicação clara e raciocínio prejudicado;
  • Cólicas e outros incômodos gastrointestinais;
  • Ansiedade;
  • Isolamento;
  • Falta de prazer na execução de atividades;

Ademais, a SFM pode acompanhar outras comorbidades, como síndrome do intestino irritável, dor de cabeça, febre, diarreia, úlceras, olhos secos, vômito, constipação, erupção cutânea, dificuldades auditivas, perda de cabelo e micção dolorosa e frequente.

A depressão também se vê presente em grande parte dos casos de fibromialgia, atingindo cerca de 50% dos pacientes. Portanto, é o que justifica a ideia antiga de que a doença seria uma espécie de “depressão disfarçada”.

Como realizar o diagnóstico da Fibromialgia?

O diagnóstico da fibromialgia é basicamente clínico, sendo de responsabilidade de uma equipe multidisciplinar. A partir do aparecimento de sintomas, os profissionais de saúde (reumatólogos, psicólogos, psiquiatras e quaisquer outros profissionais envolvidos no caso) passam a acompanhar ainda mais de perto o desenvolvimento do quadro.

São feitos exames laboratoriais e radiológicos para entender a complexidade do caso. O acompanhamento deve ser feito bem de perto, pois os sintomas podem ser confundidos com os de outras doenças. Não é um diagnóstico rápido, porém o tempo envolvido na anamnese e análise dos diversos exames é fundamental para a elaboração do melhor plano de tratamento.

É extremamente importante se atentar à história clínica do paciente, para analisar em detalhes os episódios estressores e traumatizantes aos quais esse sujeito foi ou ainda é submetido. O psicólogo aparece nesse cenário como profissional indispensável no diagnóstico, para entender quais foram os episódios que marcaram negativamente o inconsciente do sujeito.

Como tratar a Fibromialgia?

Esta doença não tem cura, mas o tratamento pode proporcionar qualidade de vida para o sujeito. Não existe um tratamento padronizado, pois ele é estruturado especialmente para cada caso. No geral, o tratamento pode envolver:

  • Psicoterapia;
  • Antidepressivos;
  • Analgésicos e anti-inflamatórios;
  • Rede de apoio;
  • Mudança de hábitos.

Psicoterapia e medicamentos

A psicoterapia costuma ser recomendada justamente pela relação emocional que aparece no desenvolvimento da doença. O objetivo da psicoterapia é ajudar o sujeito a ressignificar os traumas para, pouco a pouco, construir uma relação saudável consigo e com os outros.

Existem diversas abordagens que podem ser utilizadas na psicoterapia, visto que todas são tecnicamente capazes de tratar todos os tipos de doença. Contudo, a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) tem apresentado resultados expressivos e relativamente rápidos, já que ajuda o paciente a entender quais comportamentos são vinculados à sua dor, bem como alternativas para enfrentá-los.

O uso de antidepressivos também pode ser necessário em alguns casos. A prescrição do antidepressivo ideal deve ser feita pelo psiquiatra que acompanha o caso, considerando as possíveis interações medicamentosas, de forma a evitar ao máximo o aparecimento de efeitos colaterais.

Além disso, para minimizar as dores, os analgésicos e anti-inflamatórios são prescritos. Eles são responsáveis por estimular mecanismos naturais de analgesia ou diminuir a chegada das mensagens de dor no cérebro.

Hábitos e rede de apoio

Por fim, o paciente com fibromialgia também é convidado a embarcar numa mudança de hábitos e no processo de autoconhecimento. É recomendável que o paciente olhe para si e comece a testar alguns tipos de hobbies que consigam produzir prazer.

A prática de atividade física é muito importante para regulação de hormônios e produção de serotonina, por exemplo. Cabe, então, ao paciente descobrir qual o tipo de atividade física que ele mais se identifica.

A reeducação alimentar também é indicada, tanto para a nutrição fisiológica do corpo como para melhorar a relação do sujeito com o espelho. O acompanhamento nutricional se torna, então, outro complemento para o tratamento da fibromialgia.

O paciente que se compromete com o tratamento pode conquistar resultados incríveis. Para isso, é necessário o investimento da energia na incorporação de atividades diferentes na rotina, bem como o acompanhamento de uma equipe multidisciplinar.

Os familiares e a rede de apoio também são peças fundamentais para o tratamento de pacientes com fibromialgia, pois são responsáveis por levar ao paciente a sensação de pertencimento e amor. Por isso, o profissional pode fazer alguma intervenção de conscientização nesse sentido, caso seja necessário.

Fibromialgia x Cannabis

Diversas pesquisas aplicadas ao redor do mundo comprovam as propriedades terapêuticas do THC (tetra-hidrocanabinol), sendo uma aposta na medicina moderna. Um levantamento realizado em 2017, por exemplo, realizado em Israel e publicado no Journal of Clinical Rheumatology apresenta um resultado promissor.

A pesquisa foi realizada com 26 pacientes, com média de 37 anos, diagnosticados com fibromialgia há cerca de 2 a 4 anos. Eles foram submetidos ao tratamento com medicamentos à base de Cannabis por aproximadamente 11 meses, com doses média de 8.5g por mês e depois direcionados a responder questionários sobre a doença antes e depois desse tratamento.

O resultado dos questionários foi expressivo: 100% dos pacientes relataram melhora nos sintomas da fibromialgia em todos os âmbitos apontados nos questionários, principalmente em relação à dor. Além disso, pelo menos 50% dos participantes informaram ter parado de tomar a medicação tradicional.

O ponto positivo apresentado por essa pesquisa é a quantidade mínima de efeitos adversos. Ainda de acordo com a pesquisa, 30% dos pacientes sentiram leves efeitos colaterais como dores de cabeça, náuseas, boca seca, sonolência e fome excessiva. Contudo, eles foram relatados de forma muito menos incômoda e forte do que os efeitos apresentados pelos medicamentos tradicionais.

Apesar de difundida no meio científico, quando falamos sobre o que é fibromialgia ainda percebe-se que é uma doença estigmatizada na sociedade. Isso faz com que grande parte dos pacientes entenda que é necessário esconder os sintomas e evitar conversar sobre eles para evitar qualquer tipo de exclusão e/ou preconceito.

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