O que é TDAH? – Saiba o que é, Sintomas e Tratamentos

O que é TDAH? – Saiba o que é, Sintomas e Tratamentos

O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, mais conhecido como TDAH, é um distúrbio que afeta cerca de 3% a 5% das crianças em idade escolar no mundo, de acordo com dados da Associação Brasileira de Déficit de Atenção (ABDA) e divulgados pelo Ministério da Saúde. Mas, o que é TDAH?

Com prevalência em crianças do sexo masculino, geralmente esse transtorno é caracterizado pela dificuldade em concentrar-se nas atividades escolares. Consequentemente, tem impacto no desenvolvimento daquele sujeito. 

Em alguns países, como os Estados Unidos, as pessoas com TDAH são protegidas por lei, o que garante o recebimento de tratamento diferenciado na escola. Em grande parte dos casos, o transtorno acompanha a sua vida adulta, mesmo que em intensidade controlada.

Quer conhecer um pouco mais sobre o TDAH? Então, continue a leitura!

O que é TDAH?

É possível ver o crescente número de casos diagnosticados com Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, mas ela não é uma doença nova, visto que já foi descrita em meados do século 19. No entanto, a sociedade ainda apresenta muitas dúvidas sobre o que é TDAH.

Trata-se de um distúrbio neurobiológico crônico com as principais características estruturais compostas pela desatenção, inquietude intensa e impulsividade. O diagnóstico pode ser apresentado como Distúrbio do Déficit de Atenção (DDA) em alguns lugares ao redor do mundo.

O transtorno costuma se manifestar na infância, mas os sintomas mais evidentes começam a aparecer na fase escolar. Isso porque é o momento que esses sujeitos são estimulados à interação e à utilização do raciocínio para resolução de problemas.

O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM IV) classifica o TDAH em três possíveis tipos:

  • TDAH com predomínio de sintomas de desatenção;
  • TDAH com predomínio de sintomas de hiperatividade/impulsividade;
  • TDAH combinado (com predomínio de sintomas de desatenção e hiperatividade/impulsividade)

A ansiedade e depressão são algumas das comorbidades que os sujeitos com Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade podem desenvolver. O surgimento de distúrbios psiquiátricos nesses casos tende a ser comum, principalmente se houver uso abusivo de álcool e outras drogas na adolescência.

Quais são os sintomas de TDAH?

Para identificar os sintomas, é preciso entender qual tipo de TDAH é considerado.

TDAH com predomínio para desatenção

Nesse caso, o sujeito apresenta dificuldade para se concentrar durante um período médio de tempo em um mesmo assunto. É uma pessoa que se distrai facilmente por qualquer estímulo externo.

Consequentemente, tendem a errar bastante, devido à falta de atenção. Por isso, costumam evitar se envolver em atividades que demandem um esforço mental maior. Além disso, apresentam dificuldade para fazer a gestão de tempo e definição de objetivos.

Como a concentração não é algo frequente para esses sujeitos, fica mais complicado para eles conseguirem definir metas e estruturar um planejamento para que elas sejam alcançadas.

Outros sintomas dessa prevalência de desatenção são:

  • O hábito de procrastinar atividades mais importantes devido a tarefas menos importantes que aparecem ao longo do dia;
  • Desinteresse em alguns assuntos específicos;
  • Em alguns casos, não ouvem quando o chamam;
  • São inquietos, não conseguem ficar parados;
  • Têm mania de mexer mãos e pés quando estão sentados;
  • Não conseguem ficar em um só lugar por muito tempo.

TDAH com predomínio para hiperatividade/impulsividade

Os sujeitos com TDAH com predomínio de sintomas de hiperatividade e impulsividade são mais enérgicos. Podem ser considerados como imaturos por alguns, devido à dificuldade de lidar com as frustrações. 

Essas pessoas costumam ter um comportamento mais explosivo e pensamento acelerado. Às vezes se tornam incompreensíveis, pois verbalizam a fala em alta velocidade, na tentativa de acompanhar os pensamentos. São sujeitos que frequentemente se submetem a atividades multitarefas, realizando mudanças de planos repentinamente.

TDAH Combinado

Este último trata-se de um diagnóstico um pouco mais complexo, uma vez que é necessária a apresentação de todos os sintomas listados nos outros dois tipos. Assim, é comprovado o impacto negativo na esfera social e pedagógica do sujeito.

Em adultos, a manifestação dos sintomas é um pouco diferente, sendo mais comuns as manifestações de desatenção em tópicos relacionados ao dia a dia e ao trabalho. A inquietude também é presente, bem como a dificuldade em lembrar-se das coisas.

Ademais, são extremamente impulsivos. Sendo assim, são taxados como egoístas em boa parte dos casos. Além disso, o uso de álcool e outras drogas é bem mais frequente.

Como realizar o diagnóstico de TDAH

O diagnóstico do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade é realizado em clínica, ou seja, por meio do acompanhamento de um psicólogo e/ou psiquiatra.

Para isso, a criança tem que manifestar os sintomas listados acima na infância — até os 7 anos de idade. Esses sintomas devem aparecer em, pelo menos, dois ambientes que frequenta, como casa, escola, trabalho ou algum tipo de lazer.

Os sintomas devem persistir por cerca de seis meses, no mínimo, e serem responsáveis por alterações comportamentais e desajustes sociais que impactam diretamente na interação social e desenvolvimento pedagógico.

Ao acompanhar o caso de perto, analisar a apresentação dos sintomas, o comportamento e relatos do sujeito, o diagnóstico pode ser elaborado. Para isso, é importante considerar três níveis:

  1. Leve — apresentação de poucos sintomas, ainda que sejam evidentes pequenos prejuízos sociais, profissionais ou acadêmicos;
  2. Moderado — apresentação de sintomas e constatação de alguns prejuízos de graus leve e grave;
  3. Grave — expressão dos sintomas de forma frequente e intensa, resultando no real prejuízo funcional, social, acadêmico e profissional.

Existem fatores de risco para a TDAH?

Fatores culturais

Há controvérsias entre os estudiosos quando se trata do TDAH. A hipótese de que o transtorno estaria relacionado a fatores culturais foi descartada, visto que a manifestação dos sintomas é semelhante em diversas regiões ao redor do mundo.

Alterações na região frontal do cérebro

Vários estudos científicos comprovam que o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade é ocasionado por alterações na região frontal do cérebro. Isso interfere diretamente nas conexões com as outras partes. 

A região frontal orbital é a responsável por controlar ou impedir que comportamentos inadequados aconteçam, bem como a gestão da memória, autocontrole, organização e planejamento. Dessa forma, os pacientes com o TDAH sofrem com essas alterações.

Contudo, é importante entender que essas alterações não são oriundas de uma má formação cerebral, mas de impactos no funcionamento de neurotransmissores, como a dopamina e a noradrenalina.

Eles são responsáveis por levar a informação aos neurônios, então o comprometimento nesse processo é crucial para o desenvolvimento do transtorno.

Outro ponto importante que pode ser considerado uma causa do TDAH é o período de gestação. Quanto mais álcool e nicotina a mãe ingerir ao longo da gravidez, maior é a possibilidade de ocorrerem alterações em algumas partes do cérebro, como a frontal orbital. 

Apesar de não poderem ser considerados como causa e efeito, a associação desses elementos na gestação foi evidenciada em estudos.

Intoxicação por chumbo

A intoxicação por chumbo em crianças tem mostrado relação com a apresentação de sintomas do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade. Contudo, não há motivos para a realização de um teste para medir o nível de chumbo no sangue de toda criança, já que é um episódio raro e pode ser percebido através da clínica.

Hereditariedade e contexto familiar

Este é um ponto de conflito entre pesquisadores como uma das causas do TDAH. Estudos realizados com famílias compostas por filhos de sangue, adotados e lares mistos deram bagagem para uma longa discussão acerca dessa situação.

De forma geral, cerca de 60% das crianças que têm o transtorno, contam com pelo menos um dos pais com TDAH. Logo, se os pais estão nesse quadro, a chance da criança nascer com o transtorno é cerca de oito vezes maior. 

O contexto familiar também influencia diretamente no desenvolvimento da criança. Contudo, quando falamos em conflitos familiares, por exemplo, é preciso ter cuidado: eles podem agravar um quadro de TDAH, mas não causá-lo isoladamente.

Quais são as alternativas de tratamento para o TDAH?

O tratamento para o TDAH não é padronizado. Assim, vai depender de cada caso e paciente. A existência de comorbidades ou qualquer tipo de doença, por exemplo, também afetará as formas, tempo e necessidade de diferentes profissionais da saúde no tratamento.

A intervenção medicamentosa é bem presente no tratamento do transtorno. Nesse sentido, a ritalina é a favorita para a concentração mental, por ser um medicamento psicoestimulante. Além disso, é possível que a rotina de medicamentos inclua o uso de antidepressivos.

O lado positivo é que os efeitos da medicação costumam aparecer em poucas semanas. Assim como todo medicamento, existem efeitos colaterais, como:

  • Dores de cabeça;
  • Falta de apetite;
  • Insônia;
  • Eventuais dores abdominais. 

Contudo, estes sintomas tendem a ser leves e se concentram no período de adaptação do sujeito com o seu uso, o que costuma ser bem no início do tratamento.

A multidisciplinaridade também se faz fundamental no tratamento do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade. O terapeuta ocupacional irá ajudar o paciente a restabelecer um contato consigo e com o mundo através dos estímulos sensoriais e pedagógicos. Ao mesmo tempo, o fonoaudiólogo pode ajudar o paciente a se comunicar.

A terapia também é peça chave, com o objetivo de ajudar o sujeito a construir autoconfiança e autonomia frente ao seu contexto atual. Nesse caso, a aplicação de técnicas da Terapia Cognitivo-comportamental é bastante eficiente.

Por fim, a família e todas as pessoas próximas podem ajudar no tratamento ao incentivarem o paciente quanto ao engajamento nas outras etapas, bem como promover a mudança de hábitos na vida dele.

A mudança na alimentação — normalmente a reeducação alimentar é o mais indicado —, assim como a prática de atividades físicas regularmente demonstra efeitos excelentes para melhorar o funcionamento cognitivo e comportamental.

Quais são as possíveis consequências do Transtorno?

As consequências mais evidentes do Transtorno são os impactos negativos em diferentes âmbitos do desenvolvimento pessoal e profissional. A dificuldade de concentração e de se relacionar com pessoas, por exemplo, evidencia um comprometimento no desenvolvimento afetivo-emocional e educacional.

Além disso, o âmbito profissional também pode sofrer impactos, uma vez que há dificuldade em memorizar informações, se concentrar para a resolução de problemas. Há também uma deficiência no controle de comportamentos inadequados, o que pode comprometer o desenvolvimento profissional e a gestão financeira.

Todas essas possibilidades geram outra consequência: o impacto psicológico do sujeito com TDAH. O ato de se fixar no diagnóstico é complexo, pois o diagnóstico é usado como muleta em boa parte dos casos.

Muitas pessoas com TDAH se sentem incapazes e desconfiam da própria força. Isso porque, ao se compararem com outras pessoas, eles têm mais dificuldade para realizar ações consideradas como simples para a sociedade. Então, desenvolvem algumas crenças limitantes.

Entender o que é TDAH é conhecer um transtorno que não tem cura. Então, o sujeito pode apresentar sintomas, mesmo que esporadicamente, na vida adulta. Contudo, o tratamento proporciona a reinserção ativa do paciente na sociedade, uma vez que o alimenta com o combustível necessário para trilhar o seu futuro.

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