Reabilitação Neuropsicológica: Saiba Qual a Sua Importância!

Reabilitação Neuropsicológica: Saiba Qual a Sua Importância!

As funções cognitivas superiores, como atenção, concentração, orientação espacial memória e raciocínio, são essenciais. Quando estão prejudicadas são causa significativa de incapacitações. É grande a prevalência dessas disfunções e assumem relevância maior por afetarem desenvolvimento das capacidades humanas e a interação social. A reabilitação neuropsicológica refere-se à aplicação sistemática de uma gama variada de intervenções científicas voltadas para a recuperação cognitiva de indivíduos disfuncionais devida à presença de diferentes graus de lesões cerebrais.

Mais recentemente, o foco da reabilitação neuropsicológica tem sido ampliado. Incorporando aspectos de controle emocional, estratégias de resolução de problemas e aspectos metacognitivos relacionadas com as expectativas de funcionalidade do indivíduo.

Quem pode fazer a reabilitação?

As intervenções voltadas para a reabilitação neuropsicológica foram desenvolvidas inicialmente para veteranos de guerra, com sequelas de traumatismos cerebrais, sofridos em conflitos armados. Mas devido à sua importância e o aumento do conhecimento, seus usos foram ampliados na recuperação em geral das lesões cerebrais. Destacando-se entre elas, as resultantes de acidentes automobilísticos, acidentes vasculares cerebrais e de cirurgias para tratamento de epilepsias e para a retirada de tumores do Sistema Nervoso Central.

As indicações para a reabilitação neuropsicológica foram também ampliadas para aplicação em outras populações especiais. Na infância seu uso tem sido estudado para déficits cognitivos leves, problemas de aprendizagem e comunicação e transtorno de déficit de atenção/hiperatividade. Na terceira idade ela está sendo indicada para o idoso saudável com dificuldades cognitivas leves e para os estágios iniciais das demências.  Como resultado dos estudos científicos realizados em relação ao diagnóstico e tratamento, espera-se um grande aumento das indicações de uso e da efetividade dos métodos da reabilitação neuropsicológica nos quadros de demências de Alzheimer e outras.

Mais recentemente, uma população que tem recebido atenção especial são os atletas de alto rendimento. Muitos deles tem risco de apresentarem prejuízos neurofuncionais decorrentes de episódios graves ou repetidos de concussão cerebral. E finalmente, alguns métodos informatizados foram desenvolvidos para auxiliar a recuperação funcional de pacientes com esquizofrenia e com depressão maior.

Como funciona a reabilitação neuropsicológica?

A reabilitação neuropsicológica pode ser realizada em nível ambulatorial. Mas frequentemente também faz parte de programas integrados de recuperação hospitalar e comunitários. O uso de suas técnicas pode se dar logo no início dos tratamentos de doenças neurológicas, como em fases mais tardias da recuperação. Mas independente dos settings utilizados, sempre é importante o trabalho em equipes multidisciplinares e a promoção do envolvimento de familiares e cuidadores.

Como não poderia ser diferente, os indivíduos respondem diferentemente às intervenções. O funcionamento pré mórbido, a personalidade, o apoio social e outras variáveis ambientais influenciam os resultados das intervenções. Uma avaliação neuropsicológica global deve ser a base para a reabilitação. Ela deve incluir o diagnóstico da patologia e o tipo e localizações das lesões cerebrais presentes. A reabilitação neuropsicológica enfatiza estratégias restaurativas e adaptativas de vários aspectos da vida e performance humanas. Os objetivos do tratamento são complementares, incluindo a restauração máxima da capacidade cognitiva normal ou o estabelecimento de medidas de compensação para déficits definitivos.

O profissional formado deve desenvolver uma perspectiva neurobiológica dos processos cognitivos. Os processos puramente psicológicos são importantes, mas secundários ao foco primário de recuperação funcional neurocognitiva. Além de implementar as técnicas adequadas, o profissional treinado deve ser apto para planejar e construir um programa de reabilitação cognitiva, considerando as dificuldades de base e os recursos pessoais de cada paciente.

Quais resultados já foram atingidos?

A força das evidências a favor da reabilitação cognitiva ainda não é ideal. Isso ocorre devido a diferenças metodológicas e às casuísticas relativamente pequenas dos estudos até então realizados. Mesmo assim, as evidências têm sido inquestionáveis, especialmente na recuperação de adultos com lesões cerebrais moderadas e transtornos neuropsicológicos não progressivos.

Pacientes com lesões decorrentes de traumas craneanos e acidentes vascular cerebrais foram beneficiados com programas de reabilitação cognitiva. Com o tratamento eles apresentaram melhor capacidade de comunicação social e de qualidade de vida, comparados com os indivíduos que receberam tratamento padrão como controle. Também foi reportada uma tendência para a preservação de relacionamentos sociais um melhor desenvolvimento educacional e ocupacional desses pacientes. Paradoxalmente, a publicação desses resultados serve de base para o argumento que as intervenções de reabilitação neurobiológica têm função preventiva, para situações de risco neurobiológico de diferentes etiologias.

A pesquisa e o emprego de novas tecnologias têm sido crescentes. Assim como a interface com outras abordagens científicas, como o emprego de fármacos e a terapia cognitivo-comportamental no contexto da reabilitação neurobiológica. A expectativa de vida humana tem aumentado progressivamente. Tendo em vista a mudança estrutural de envelhecimento da população brasileira, aliada a maior importância sendo dada às questões relacionadas com qualidade de vida, pode se prever um futuro brilhante para o exercício profissional da reabilitação neuropsicológica.

Salmo Zugman

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