Teoria do Apego: O que é, Pilares e Tipos

Teoria do Apego: O que é, Pilares e Tipos

O que é a teoria do apego?

A teoria do apego é a teoria que trata dos relacionamentos entre as pessoas, e tenta descrever como ocorre essa conexão, apontando que o apego seja algo inato do ser humano.

O seu ponto inicial é de que para um bebê tenha seu desenvolvimento social e emocional, é preciso que ele desenvolva um relacionamento com um cuidador. Ele busca esses vínculos para que possa sobreviver. Um exemplo disso seria que o bebê não consegue se alimentar sozinho, ele depende da mãe para isso, e por conta disso se apega a ela.

Para ele o apego é esse vínculo que se desenvolve e que gera a sensação de segurança. Nesse caso, as crianças associam esse sentimento a pessoa que esteja cuidando dele.

A teoria teve origem no período pós Segunda Guerra Mundial, em se encontrava um cenário com inúmeras crianças órfãs. O psiquiatra John Bowlby foi o precursor nesse campo, sendo o principal idealizador da teoria.

Principais pilares da teoria do apego

1. A criança desenvolve um laço com uma figura principal de apego

Ao desenvolver sua teoria, Bowlby acreditava que apesar da criança ter várias pessoas ao seu redor, ela iria desenvolver apenas um vínculo primário mais importante, que comumente é a mãe.

Ao mesmo tempo, ele sugeriu que caso esse vínculo materno não fosse realizado ou fosse rompido, a criança sofreria consequências negativas em sua formação social e emocional.

2. A criança deve receber cuidado contínuo durante seus primeiros anos de vida

Segundo Bowlby, é de extrema necessidade da criança que ela possua essa figura de apego durante seus primeiros anos de vida. Ele considera que a maternidade é praticamente inútil se for atrasada depois dos três anos de idade.

A teoria diz que caso a criança seja privada do cuidado durante seus primeiros anos, ela pode sofrer consequências irreversíveis em sua formação emocional.

Uma consequência, caso ocorra esse afastamento, seria o desenvolvimento de delinquência, agressividade e depressão, ou até mesmo traços de psicopatia sem afeto.

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3. A separação ou afastamento do cuidador causa ansiedade

Quando ocorre a separação, a criança tenta de alguma forma não se afastar da sua figura de apego, chorando e reclamando da ausência do cuidador.

Depois que o cuidador se vai, a criança passa a ficar desinteressada por qualquer coisa e não interage normalmente com as outras pessoas que estão em sua volta. Com o tempo, isso vai mudando e ela começa a retomar as interações.

No retorno da figura de apego, a criança irá rejeitá-lo mostrando fortes sinais de raiva.

São vários os fatores que podem influenciar em como será essa reação, sendo alguns deles a idade, o tempo de afastamento e qualidade do ambiente onde a criança vive.

Caso esse afastamento seja muito intenso, ou até mesmo um abandono, isso pode gerar um trauma na criança, fazendo com que ela tenha dificuldades em seus relacionamentos futuros.

4. As vivências com o cuidador influenciam no seu comportamento, e pensamentos

As crianças a partir de um certo momento começam a identificar as atitudes e se espelhar em seus cuidadores. O cuidador principal é o que terá maior influência sobre o comportamento da criança, em campos como os relacionamentos sociais e expectativas sobre si mesma.

A qualidade do vínculo entre a criança e o cuidador influencia diretamente em como será o modelo interno de funcionamento.

Caso esse vínculo seja positivo, os pais sejam presentes na vida da criança, se mostrem empáticos em situações de estresse, a criança irá desenvolver uma personalidade mais autoconfiante e segura. Ao contrário, se isso for negativo, a criança desenvolve insegurança e dependência dos outros.

Teoria do Apego

Os 4 tipos de apego

Os 4 tipos de apego foram desenvolvidos por Ainsworth, em sua pesquisa em Baltimore. O experimento que foi feito para chegar aos modelos que veremos a seguir, era o seguinte: uma mãe e um bebê vão até uma sala de brinquedos e posteriormente junta-se a eles uma mulher desconhecida. Posteriormente, a mãe sai da sala ficando somente a mulher desconhecida e a criança. E após isso, essa mulher também sai da sala, deixando a criança sozinha. Depois, ambas retornam.

O experimento comprovou que as crianças exploravam mais a sala com a presença materna, do que com a presença da mulher desconhecida ou sozinhas.

Assim sendo, Ainsworth (e sua aluna Mary Main posteriormente) identificaram os 4 comportamentos:

Apego Seguro

A criança explorava a sala de forma mais natural e sem restrições com a presença da mãe, mas explorava menos o ambiente com sua ausência. Nos casos que a mãe voltava, a criança podia chorar ou ir aos braços da mãe, sendo confortada. Depois de se sentir segura novamente, voltava a explorar a sala de brinquedos.

Nesse caso, a criança percebe que a mãe corresponde a suas demandas emocionais, contando com ela em situações estressantes. Esse tipo de comportamento está vinculado com mães que conseguem entender e identificar as necessidades emocionais de seus filhos.

Apego Evitante

Nesse cenário, a criança não interage muito com o ambiente. Ela não demonstra muita emoção quando a mãe sai ou retorna, praticamente ignorando-a. Em algumas vezes as crianças mostravam reações mais amistosas até mesmo com os estranhos do que com as mães. A característica dessas mães é que elas eram mais rígidas e não disponíveis à procura da criança.

A hipótese que Ainsworth tinha no início era que as crianças seriam indiferentes. Porém, suas respostas fisiológicas, como o aumento nos batimentos cardíacos mostravam o contrário, que essas crianças sofriam com a separação.

Apego Ambivalente

Aqui a criança explorava pouco o ambiente, apresentando medo e grande ansiedade na ausência da mãe e presença de pessoas estranhas. Porém, o grupo se mostrava ambivalente quando a mãe retornava. A criança de certa forma queria reestabelecer o vínculo e o contato com a mãe, mas também apresentava traços de raiva e ressentimento por conta do afastamento. A mãe neste caso não estava alinhada com as expectativas emocionais da criança.

Apego Desorganizado

Proposto por Mary Main, mostra-se uma reação com contradições no comportamento da criança. Alguns exemplos disso seriam: a criança demonstrar apego, mas ao mesmo tempo apresentar raiva, movimentos sem sentido e incompletos, expressão de apreensão e ansiedade diante da mãe, paralização ou desorientação.

Essas reações geralmente estão associadas a algum trauma ou abuso dos pais.

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Referências

Revista Brasileira de Psicoterpia: Teoria do Apego: conceitos básicos e implicaçoes para a psicoterapia de orientaçao analítica (2016).

Lorenna Sena Teixeira Mendes; Neusa Sica da Rocha

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