Empirismo Colaborativo: O que é e Como é Usado na TCC

Empirismo Colaborativo: O que é e Como é Usado na TCC

Um dos objetivos principais da Terapia Cognitivo Comportamental (TCC) é o aumento do nível de autenticidade, empatia e consideração positiva por parte do paciente. Essa é justamente a proposta do empirismo colaborativo, que promoverá a mudança cognitiva e comportamental.

Para que ele seja firmado, o ponto chave é a nutrição da relação entre terapeuta e paciente, que servirá de base para a construção de relações mais eficazes. Nesse sentido, o terapeuta deve ter bastante tato para entender verdadeiramente o paciente. Ele deve ser capaz de proporcionar a discussão saudável dos tópicos emocionais que surgem a partir dos relatos compartilhados.

O empirismo colaborativo é um aspecto da Terapia Cognitivo Comportamental intimamente relacionado à aliança terapêutica, em que o paciente e terapeuta trabalham juntos, como uma equipe de trabalho, tendo ambos o papel ativo e diretivo no tratamento. 

Vamos ajudá-lo a entender melhor sobre o empirismo colaborativo. Vamos nessa?

O que é empirismo colaborativo

O termo “empirismo colaborativo”, propriamente dito, foi primeiramente introduzido por Beck, Rush, Shaw e Emery, em 1979. Sua definição pode ser entendida como uma relação entre paciente e terapeuta, que trabalham juntos para analisar e avaliar a precisão de certos dados de uma percepção. (SUDAK, DONNA, 2008). 

Isso se dá em virtude da Terapia Cognitivo Comportamental ter uma postura construtivista. Ou seja, se propõe a considerar as respostas emocionais e comportamentais como o produto da maneira com o que processamos os eventos externos.

O empirismo colaborativo é estabelecido quando terapeuta e paciente adotam uma postura igualmente ativa na busca do alívio do sofrimento do paciente. O objetivo do terapeuta é guiar o paciente à reflexão sobre seus pensamentos, emoções e comportamentos para proporcionar a reestruturação cognitiva, que ajudará o paciente a processar informações de maneira mais flexível. 

Dessa forma, construir uma aliança terapêutica forte, com o empirismo colaborativo como foco central, é essencial o sucesso do tratamento na Terapia Cognitivo Comportamental. Isso porque a maioria dos pacientes — pelo menos no início do processo terapêutico — não consideram seus pensamentos, suas regras e suas crenças como hipóteses a serem testadas. 

A partir do momento em que é estabelecido o empirismo colaborativo, o paciente passa a ver com mais clareza os caminhos que deve seguir para alcançar os resultados, se tornando um co-investigador.

Como o empirismo colaborativo é usado na TCC?

O primeiro passo para que o empirismo colaborativo aconteça na prática é o estabelecimento de uma relação de confiança entre terapeuta e paciente. A partir dessa relação consolidada, a participação ativa de ambos se torna vital para o sucesso do processo.

Beck (1997) aponta que, ainda que a aliança terapêutica esteja estabelecida, é comum que no início do tratamento o terapeuta se mostre mais ativo. Assim, é importante direcionar as sessões com base no que é discutido na sessão anterior, como forma de entender detalhadamente o contexto do paciente, bem como as emoções que estão relacionadas aos comportamentos compartilhados por ele.

Contudo, à medida em que o paciente vai se familiarizando com as técnicas e conceitos da TCC, ele deve se tornar mais ativo na sessão. Assumindo atitudes como a de tomar decisões acerca dos tópicos a serem discutidos nas sessões, bem como o resumo da sessão e apresentando a tarefa de casa. 

Dessa forma, paulatinamente, a atuação do paciente se aplicará também às sessões em si. A tendência é que o paciente se torne um agente ativo e, nesse cenário, o terapeuta faz a interpelação do paciente, opinando, questionando, propondo temas, emitindo feedback, usando técnicas que englobam tarefas, role play, ensaios e exposições em ambiente natural.

A existência de uma estrutura colaborativa não significa que o terapeuta irá sempre acatar o que o paciente sugerir durante o processo terapêutico. Caso as escolhas do paciente se distanciem do objetivo definido, o terapeuta deve expressar sua opinião, desde que seja fundamentada em evidências empíricas ou na experiência profissional e teórica.

Se um paciente, por exemplo, insistir na escolha de tópicos que evitam tratar dos problemas centrais, o terapeuta deverá apontar justamente esse movimento, questionando ao paciente sobre os pensamentos ou os medos que podem estar impedindo que ele trabalhe em um determinado assunto. Contudo, se torna extremamente mais fácil para terapeuta e paciente resolverem colaborativamente tais discordâncias quando existe uma aliança terapêutica positiva.

Qual é a importância da relação terapêutica na abordagem cognitivo²

Cordioli (1998, p.29) afirma que a relação terapêutica “é indispensável, na qual o terapeuta é ativo e o paciente um colaborador”. De acordo com Beck, Rush, Shaw e Emery (1997), a relação e a aliança terapêutica são utilizadas não apenas como ferramentas para o alívio dos sofrimentos, mas como instrumentos que facilitam um esforço comum para o alcance de metas específicas.

Desenvolver e manter a relação terapêutica são objetivos tanto do paciente como do terapeuta e precisam se pautar na colaboração, no rapport e na confiança. Dessa forma, terapeuta e paciente necessitam se portar como uma equipe.

Ademais, a relação terapêutica proporciona o estabelecimento do espaço para que seja promovido o treinamento do desenvolvimento de relações interpessoais mais saudáveis. Isso facilita o trabalho colaborativo e o alcance das metas conjuntamente estabelecidas. A relação passa, também, a ser considerada como instrumento básico para que sejam compartilhados os esquemas disfuncionais do paciente.

De acordo com Zamignani (2000), para que a relação terapêutica seja capaz de resultar em transformações, é fundamental que ela se estabeleça como uma relação diferenciada, em que novas respostas possam ser compreendidas e experimentadas pelo paciente.

Além disso, uma das características da relação terapêutica que a diferencia dos outros tipos de relações é o fato dela precisar ser uma “audiência não punitiva” (SKINNER, 1953, apud ZAMIGNANI, 2000), considerado o terapeuta um agente reforçador. 

Logo, é possível perceber que a relação terapêutica no âmbito do empirismo colaborativo é a busca conjunta dos problemas do paciente. Ou seja, tem o objetivo de solucioná-los de forma ativa e colaborativa.

O empirismo colaborativo é o alicerce do relacionamento entre paciente e terapeuta, baseado na construção e nutrição de uma aliança terapêutica de colaboração, que tem como valor fundamental a garantia do bom funcionamento da Terapia Cognitivo Comportamental. 

Levando seus tratamentos para um próximo patamar

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