Karen Horney: Quem foi e suas teorias

Karen Horney: Quem foi e suas teorias

Karen Horney foi uma figura extremamente importante para a luta feminina no campo científico e, consequentemente, histórico. Ela conquistou seu espaço em meio a uma sociedade extremamente machista, se posicionando à frente do seu tempo ao questionar as bases da Psicologia da época.

As teorias propostas por Karen vão contra a parte mais conservadora da ciência, bem forte na sua época. Contudo, ainda que revolucionária, ela não escondia a dificuldade que tinha ao ser uma das únicas mulheres que discordam das teorias masculinas amplamente divulgadas na época pelos autores da psicologia.

Ficou com vontade de conhecer mais sobre ela? Continue a leitura para conhecer suas principais teorias.

Quem foi Karen Horney

Karen Danielson nasceu em 1885, na cidade de Ham­burgo, na Alemanha. Estudou medicina em Berlim e finalizou o seu doutorado em 1913. Em 1909, casou-se com Oscar Horney, com o qual teve três filhas. 

Foi psicanalista do Instituto de Psicanálise de Berlim entre os anos de 1920 e 1932. Em 1932, se mudou para os Estados Unidos, passando a atuar com atividades psicoterapêuticas no Instituto Psicanalítico de Chicago, de Franz Alexander.

Karen tinha um irmão e quando ele se distanciou dela, ela entrou em uma depressão profunda, que apareceria outras diversas vezes ao longo da sua juventude. Como forma de driblar essa dor, ela se dedicou de corpo e alma aos estudos.

Por volta de 1934, ela se mudou para o Brooklyn e se estabeleceu como professora da New School for Social Research e do Instituto Psicanalítico de Nova York. Durante esses anos, ela iniciou o desenvolvimento das suas teorias sobre a neurose e a personalidade. 

As teorias desenvolvidas por Horney sofreram inúmeras críticas por ter um posicionamento oposto às teorias freudianas originais e, devido a isso, acabou sendo o motivo para a sua expulsão do Instituto Psicanalítico de Nova York. 

Esse foi o “empurrão” necessário para que Karen e outros dissidentes construíssem e inaugurassem o American Journal of Psychoanalysis e o Instituto Americano para a Psicanálise, onde trabalhou até falecer em 1952.

Teorias de Karen Harney

É evidente que Karen Harney destinava seus estudos a entender maneiras de defender a ideia de que as diferenças entre homens e mulheres se manifestam a partir de diferenças na educação e na socialização, não na biologia em si, indo contra tudo o que estava sendo defendido na época. 

Ela foi a precursora da psicologia feminista, que acreditava que a saúde mental das mulheres é diretamente afetada pelas diferenças de poder de gênero. Outro ponto de discussão que Karen desenvolveu foi contra as ideias de Freud.

Um dos principais pontos que Harney critica a teoria de Freud é sobre a suposta inveja que a mulher tem do pênis masculino. Segundo ela, as mulheres invejavam, na verdade, o poder e os privilégios masculinos, não o pênis em si.

Ela também discorda do conceito do Complexo de Édipo, defendida por Freud. De acordo com ela, o complexo era um produto da insegurança na relação de pais e filhos. Ademais, considerava o narcisismo como resultado da baixa autoestima e do excesso de indulgência na infância, não um distúrbio psicológico.

Nesse cenário, podemos destacar algumas das suas grandes contribuições dentro das abordagens da psicologia:

Teoria da Personalidade

Segundo a Teoria da Personalidade, o desenvolvimento da personalidade é produto da interação de forças biológicas e psicossociais, que são únicos para cada sujeito. A partir do momento em que o cerne de cada personalidade se torna um self real duradouro que equivale parcialmente ao ego freudiano e parcialmente ao estado de ego infantil de Eric Berne.

Nesse contexto, o processo mais natural para o desenvolvimento de autorrealização se refere ao desenvolvimento do potencial humano em três direções básicas:

  • em direção aos outros: para expressar amor e confiança;
  • para longe dos outros: em direção à auto-suficiência;
  • contra os outros: para mostrar oposição saudável.

Teoria da Neurose

Sob essa ótica, a neurose pode ser compreendida tanto em termos intrapsíquicos como interpessoais. Ao observar que seus pacientes se queixavam de bloqueio e falta de preenchimento no trabalho, bem como da falta de habilidade para estabelecer ou manter relacionamentos, percebeu que eles apresentavam sistemas de padrões defensivos auto perpetuantes contra a ansiedade que surgiu inicialmente na primeira infância.

Dessa forma, se existem condições ambientais desfavoráveis, os sentimentos conflitantes são direcionados para o inconsciente. Assim, provocam um senso de desconforto, ansiedade e apreensão, compondo um self inseguro. 

Karen Horney e a prática clínica

Karen Horney encarava a neurose de uma forma bem diferente. No lugar de se preocupar na recapitulação de experiências, ela focou em entender o processo neurótico autoperpetuante. 

Além disso, ela foi uma das primeiras analistas a reconhecer e fazer uso construtivo dos próprios sentimentos em relação aos pacientes. Nesse contexto, a responsabilidade do analista é ajudar o paciente a se libertar dos seus bloqueios e das forças que impedem o crescimento saudável.

O início da terapia é, então, marcado pelo processo de desilusão, em que os bloqueios são identificados e examinados. O primeiro deles é chamado de protelar, que ajuda a evitar a ansiedade provocada pela autopercepção. Já os bloqueios protetores incluem silêncio, atraso, o uso de drogas e diversos outros.

Por fim, os bloqueios de valor positivo são aqueles que reforçam a satisfação dos pacientes consigo mesmos. Sendo assim, no processo de desilusão, o analista identifica todos os tipos de bloqueio, expondo os bloqueios protetores antes de expor os bloqueios que defendem a imagem idealizada.

Karen Horney foi uma médica extremamente revolucionária em diversos aspectos, desde a sua contribuição para a Psicologia, com suas teorias sobre a neurose e a personalidade, até sua graduação na universidade em uma época em que a mulher não poderia focar em estudos, visto que sua obrigação era com os afazeres domésticos.

Levando seus tratamentos para um próximo patamar

Como você viu no texto, Karen Horney é responsável por algumas teorias da psicologia que são muito utilizadas pelos terapeutas. Que tal você se tornar um especialista em tais teorias para poder impactar ainda mais a vida de seus pacientes?

O IPTC conta com diferentes cursos totalmente voltados para a prática! Você terá aulas sobre o assunto com uma estrutura e metodologia validadas por nossos + de 1.000 alunos.

Conheça mais sobre nossos cursos!

41 3022-2947
WhatsApp: (41) 9 9263-2977
contato@iptc.net.br

SEDE INSTITUCIONAL
Rua Emiliano Perneta, 822 sl 1201
Centro, Curitiba / PR

SEDE ADMINISTRATIVA
Rua Emiliano Perneta, 10 sl 603
Centro, Curitiba / PR

IPTC - Instituto Paranaense de Terapia Cognitiva.