Modelo Cognitivo: Fundamentos e Tríade Cognitiva

Modelo Cognitivo: Fundamentos e Tríade Cognitiva

O conceito de Modelo Cognitivo está, obviamente, relacionado ao conceito de cognição, ambos abordados por Judith Beck em seu livro “Terapia Cognitivo-Comportamental”. Segundo ela, as cognições têm participação fundamental em nossa vida, aparecendo no formato de emoção, comportamento e relações interpessoais, além de envolver estruturas necessárias para sustentar o processamento eficaz de informações. 

Dessa forma, a Terapia Cognitivo-Comportamental irá propor o Modelo Cognitivo, responsável por direcionar o paciente e o terapeuta durante a condução do tratamento para, através da análise e intervenções voltadas para a cognição, tornar possível a promoção da saúde mental do paciente.

Para entender melhor como funciona o Modelo Cognitivo, continue a leitura.

Como explicar ao paciente o Modelo Cognitivo

O primeiro passo para que o paciente entenda o Modelo Cognitivo é nutrir uma relação de transparência entre terapeuta e paciente. A partir dessa relação, será estabelecida confiança por parte de ambos, que conseguirão investir a energia necessária para o desenvolvimento do tratamento.

As cognições e seu vínculo com respostas emocionais e comportamentais são fenômenos bem complexos, sendo tarefa do terapeuta procurar maneiras para deixá-las mais claras ao paciente.

Por isso, uma alternativa é a elaboração de diagramas que ilustram como os sentimentos, pensamentos e comportamentos estão correlacionados. O terapeuta pode partir de um comportamento disfuncional para mostrar como ele está conectado ao sofrimento relatado pelo paciente.

O Diagrama de Conceitualização Cognitiva (DCC) é uma ferramenta amplamente realizada na clínica e tem como objetivo a elucidação dos pensamentos automáticos e até mesmo das crenças centrais e intermediárias (caso possível) vinculadas a cada comportamento, de forma que o paciente consiga visualizar os padrões comportamentais do seu repertório. 

Esse diagrama também facilita a compreensão das interações feitas pelo paciente ao longo do processo terapêutico, uma vez que começa a identificar cognições no primeiro nível de processamento de informações: os pensamentos automáticos. A parte superior do DCC é compartilhada com o paciente para que ele entenda a natureza circular dos pensamentos automáticos. 

Qual é a proposta do Modelo Cognitivo

Segundo Judith Beck, o Modelo Cognitivo se baseia na hipótese de que as emoções, os comportamentos e a fisiologia do paciente são influenciados pelas percepções que ela tem dos eventos. Nessa lógica, a situação por si só não determinará o que a pessoa sente, mas sim a maneira como ela entende e interpreta aquela vivência. 

Assim, o primeiro passo proposto pelo Modelo Cognitivo é a investigação dos pensamentos automáticos, pois eles se encontram na parte mais superficial da estrutura cognitiva do sujeito.

Após a identificação dos PAs, o paciente é convidado a avaliar a validade do pensamento e, caso possível, poderá recorrer a experiências passadas e a lembranças de si mesmo para chegar a uma decisão. 

A partir do momento em que o paciente consegue entender essa lógica e vê sentido em segui-la, corrigindo uma interpretação errônea de alguma situação, poderá perceber mudanças significativas no seu humor e, consequentemente, nas queixas apresentadas.

Igualmente, Judith Beck reforça isso em seu livro, elucidando que “em termos cognitivos, quando pensamentos disfuncionais são sujeitos à reflexão objetiva, as emoções, o comportamento e a reação fisiológica do sujeito geralmente se modificam”.

Quais são os princípios básicos do tratamento

A condução da terapia é personalizada para cada paciente e para cada demanda, porém a Terapia Cognitivo-Comportamental defende alguns princípios básicos que são comuns a todos os pacientes, veja-os a seguir:

1. A TCC se pauta no desenvolvimento contínuo das demandas dos pacientes e na conceituação individual de cada paciente em termos cognitivos;

2. A Terapia Cognitivo-Comportamental necessita de uma aliança terapêutica sólida;

3. A TCC requer a colaboração e a participação ativa;

4. A orientação se dá para os objetivos e é focada nos problemas;

5. Inicialmente é enfocado o presente;

6. A Terapia Cognitivo-Comportamental tem caráter educativo e, devido a isso, foca em ensinar o paciente a ser seu próprio terapeuta, nem como o reforço para a prevenção de eventuais recaídas;

7. A TCC se propõe a ser limitada no tempo;

8. As sessões são sempre estruturadas;

9. O terapeuta ensina os pacientes a identificar, avaliar e responder aos seus pensamentos e crenças disfuncionais;

10. O humor, pensamento e comportamento conseguem ser modificados por meio das diversas técnicas existentes na TCC.

O que é a tríade cognitiva

Aaron Beck apresentou o conceito de tríade cognitiva após observar atentamente os pacientes com depressão que tratava. A partir disso, notou que eles tendiam a ter uma visão negativa dos eventos e autocrítica intensa.

Ele propôs o conceito de tríade cognitiva em 1976, como parte da sua teoria cognitiva da depressão. Ela seria composta por três padrões cognitivos na forma como o indivíduo vê a si mesmo, o mundo e o futuro. Isso envolve pensamentos negativos automáticos, espontâneos e supostamente incontroláveis sobre o eu, o meio e o futuro. 

Dessa forma, o paciente com depressão apresenta uma visão negativa de si mesmo, entendendo que ele é uma pessoa sem valor e defeituosa. Além disso, ela apresenta visão negativa do meio, pois acredita que tudo ao redor dela reforça essa ideia de que não vale a pena. Além disso, essa visão solicita-o demandas absurdas.

Por fim, o futuro também tem uma visão distorcida pela pessoa, pois alimenta uma ideia de que não há possibilidade de melhora futura.

Como se faz terapia cognitiva

A terapia cognitiva se baseia nos conceitos de crenças centrais, crenças intermediárias e pensamentos automáticos como pontos de partida para a construção de um repertório comportamental funcional.

Nesse cenário, o terapeuta convida o paciente a identificar quais seriam esses elementos presentes na vida para, assim, entender a causa raiz do problema. As crenças centrais são normalmente desconhecidas pelo próprio sujeito, sendo ideias gerais, globais, rígidas e generalizadas para várias situações do cotidiano do sujeito.

As crenças intermediárias se baseiam na crença central, sendo espécie de regras, atitudes, e/ou suposições que abrem caminho para a instauração de pensamentos automáticos. O terapeuta vai atuar no direcionamento e ajuda do paciente para conseguir identificar, inicialmente, os pensamentos automáticos, questionando-os e confrontando-os para que consigam mudá-los. 

Como o pensamento automático está ligado a uma emoção, o paciente tem mais conhecimento sobre si mesmo e dos sentimentos vinculados aos comportamentos que emite. 

Assim, é inegável a revolução proporcionada por Beck pela apresentação do Modelo Cognitivo. A tríade cognitiva e o Diagrama de Conceitualização Cognitiva (DCC) proporcionaram a aplicação de técnicas que se adequaram ao tratamento de diversos transtornos.

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