O que é Autismo? – Saiba o que é e Como Abordar

O que é Autismo? – Saiba o que é e Como Abordar

O Autismo, mais conhecido como Transtorno do Espectro Autista, é um transtorno relacionado à comunicação e interação social em vários contextos, podendo ter comprometimento da fala como um dos principais sintomas. Porém, entender o que é autismo vai além disso.

Os sinais do desenvolvimento do transtorno começam a aparecer por volta dos 3 anos de idade, sendo que alguns casos podem já ser diagnosticados por volta dos 18 meses, excepcionalmente.

A palavra espectro, existente no nome do quadro, ilustra amplitude do transtorno, que pode apresentar sintomas mais leves ou severos, a depender do caso. Muitos estudos são destinados a entender melhor sobre o que é autismo, procurando relações e causas genéticas e ambientais.

Então continue a leitura para saber um pouco mais sobre como entender e abordar o autismo.

O que é autismo?

O Autismo, conhecido tecnicamente como Transtorno do Espectro Autista é, de acordo com a definição do DSM-V, um transtorno caracterizado pelo comprometimento em três áreas fundamentais do desenvolvimento cognitivo: habilidades socioemocionais, atenção e linguagem. 

O espectro, ou seja, a amplitude do transtorno é imensa, o que significa que o paciente pode manifestar sintomas mais moderados ou mais graves. Além disso, ele pode ter uma fase em que esteja nas fases iniciais do espectro e transitar para uma fase mais intensa, com sintomas que comprometem ainda mais a interação social.

É importante entender o nível de comprometimento de cada caso para, posteriormente, identificar quais as outras comorbidades que podem estar relacionadas a ele, como a deficiência intelectual, dificuldade de fala, déficit de atenção, dentre outros.

Características típicas do autista

Uma característica típica do autismo são os movimentos estereotipados, manifestados principalmente em momentos de crise. Eles vão desde bater de pernas, piscar os olhos repetidamente, balançar os braços muitas vezes, podendo chegar ao comportamento de bater a cabeça na parede, em alguns casos.

Além disso, é comum a presença de convulsões em casos do espectro mais severo. As crises convulsivas podem acontecer várias vezes ao dia, causando inúmeros comprometimentos colaterais. 

Os autistas, normalmente, estabelecem uma relação muito forte com os chamados “objetos autísticos”, que são objetos em que conseguem se conectar a ponto de se tranquilizarem. Através desses objetos, os sujeitos acabam se fechando em uma espécie de bolha, na tentativa de se proteger dos estímulos externos.

Autistas, normalmente, são pessoas muito literais e, por isso, podem ter dificuldade em interpretar sinais não verbais emitidos por outras pessoas, entender o sentido figurado de um discurso, fazer a leitura corporal e, até mesmo, estabelecer o filtro social em alguns aspectos. 

Pacientes com autismo podem possuir a habilidade de se concentrar intensamente em uma só coisa, o que pode permitir uma especialização e aprofundamento em um assunto que desperte interesse. Assim, eles pesquisam e entendem a maior parte dos detalhes possíveis sobre ele, também como uma tentativa de, assim, se proteger dos estímulos externos.

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Quais são os tipos de autismo?

Além dos vários níveis de comprometimento ilustrados pelo espectro, o Transtorno do Espectro Autista também é dividido, segundo o DSM-V em alguns tipos. Cada tipo determina um conjunto de sintomas e orientações de tratamento.

São eles:

Síndrome de Asperger

Quando pensamos em Síndrome de Asperger, é normal vir à mente aquelas pessoas inteligentes, que conseguem dominar um campo de aprendizado. Ela é considerada a forma mais branda do autismo, sendo três vezes mais comuns em pacientes do sexo masculino.

A Síndrome é justamente caracterizada pela inteligência bastante superior à média e pode ser chamada também de “autismo de alto funcionamento”. Isso se dá, entre outros fatores, pela relação que estabelecem com os objetos autísticos, bem como o nível de comprometimento cognitivo.

Outro ponto bastante comum dos pacientes com Asperger é a obsessão por um objeto ou assunto. Os pacientes nesse quadro podem falar por horas sobre o mesmo tópico, entrando em detalhes e discutindo sobre pontos bem específicos.

O diagnóstico de Asperger é fundamental que seja feito ainda na infância, para que o paciente consiga entender seus pontos fortes e limitações e, assim, evitar as chances de desenvolver quadros de depressão e ansiedade.

Transtorno Invasivo do Desenvolvimento

O Transtorno Invasivo do Desenvolvimento pode ser considerado a fase intermediária, pois é entendida como um pouco mais grave do que a Síndrome de Asperger, mas não tão intensa quanto o Transtorno Autista, que iremos abordar em breve.  

Devido a isso, os sintomas podem ser bem variáveis, a depender do caso. Contudo, de forma geral, a maior parte dos pacientes apresentam os sintomas abaixo:

  1. Quantidade relativamente baixa de comportamentos estereotipados/repetitivos
  2. Comprometimento da interação social
  3. Capacidade linguística inferior à Síndrome de Asperger, mas superior ao Transtorno Autista.

Transtorno Autista 

O Transtorno Autista é um dos quadros mais graves dentre os tipos de autismo, pois é caracterizado pelo comprometimento de várias capacidades relacionadas aos relacionamentos/comportamentos sociais, cognição e linguagem. Além disso, os comportamentos estereotipados são intensos e muito comuns nesses casos.

Esse é o quadro mais conhecido pelo senso comum, podendo ser considerado como o “autismo clássico” e como o que as pessoas mais visualizam o que é autismo. Normalmente é diagnosticado antes dos três anos de idade e tem resultados de tratamento mais eficazes quando iniciado nos primeiros anos da infância.

Os principais sinais do desenvolvimento do quadro são:

  1. Falta de contato visual com pessoas
  2. Comportamentos estereotipados, envolvendo bater ou balanças pernas e braços
  3. Dificuldade de verbalização. Em alguns casos, os pacientes não conseguem falar nada.
  4. Desenvolvimento tardio da linguagem.

Transtorno Desintegrativo da Infância

É considerado o tipo mais grave do Transtorno do Espectro Autista e o menos comum. A criança com esse tipo de transtorno apresenta um período normal de desenvolvimento, porém entre os 2 aos 4 anos de idade, ela começa a perder as habilidades intelectuais, linguísticas e sociais, sem conseguir recuperá-las.

Dados sobre o autismo

Vários estudos são conduzidos sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) ao redor do mundo e, devido a isso, várias estatísticas são apresentadas sobre as descobertas obtidas, como:

  1. A Classificação Internacional de Doenças (CID-11) estabeleceu, em seus dados, o código do autismo como 6A02, em contraponto ao código F84 do CID-10.
  2. Aproximadamente um terço das pessoas com autismo não conseguem desenvolver a fala, se tornando pessoas não-verbais, de acordo com estudos apresentados em 2012 e 2015. Esse mesmo artigo apontou que estima-se que um terço das pessoas com autismo têm algum nível de deficiência intelectual, também.
  3. Os distúrbios gastrointestinais, convulsões, distúrbios do sono, Transtorno de Déficit da Atenção com Hiperatividade (TDAH), ansiedade e fobias são algumas comorbidades bastante comuns em pacientes com autismo, conforme estudos de 2012, 2015 e 2018.
  4. A Organização das Nações Unidas (ONU) decretou, em 2007, o dia 2 de abril como o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, como forma de sensibilizar a população sobre a importância de discutirmos e estudarmos o tema.
  5. A “Lei Berenice Piana” (Lei 12.764), de 2012, foi responsável por consolidar a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro do Autismo, regulamentada pelo Decreto 8.368, de 2014. Através dela, foram estabelecidos os direitos dos pacientes com autismo.
  6. No Brasil, existe somente um estudo de prevalência de TEA até hoje, de 2011, em Atibaia (SP), que aponta que há 1 autista para cada 367 habitantes (ou 27,2 por 10.000).
  7. A cada ano, cerca de 50 mil jovens com TEA atingem a maioridade dos 18 anos nos EUA, enquanto que no Brasil ainda não há números a esse respeito.
  8. Um estudo publicado pelo JAMA Psychiatry, realizado em 2019, com 2 milhões de indivíduos, de cinco países diferentes, aponta que de 97% a 99% dos casos de autismo têm causa genética, sendo 81% hereditários.
  9. A revista Cell publicou um trabalho científico em janeiro de 2020 que afirma a identificação de 102 genes como os principais relacionados ao autismo, a partir de uma análise do sequenciamento genético de mais de 35.000 pacientes e familiares.

Como abordar o autismo

Não existe fórmula secreta ou mágica para abordar o autismo. Uma maneira mais comum, utilizada por boa parte dos psicólogos, é buscar uma aproximação gradual a partir do objeto autístico daquele paciente. Demonstrar interesse sobre os assuntos é outra maneira para conquistar, pouco a pouco, a confiança dos autistas.

Fazer uma boa anamnese é importante, pois permite que o profissional monte uma equipe multidisciplinar ideal para o caso.

A equipe multidisciplinar consegue, cada um com sua expertise e técnica, encontrar brechas para a aproximação, a partir do convívio e da escuta ativa e empática. Além disso, a família precisa estar bem aberta ao tratamento, desenvolvendo uma rede de apoio forte àquela criança, visto que serão feitas várias mudanças na rotina dela. 

Apesar de entender sobre o que é autismo, sempre há muito espaço para adquirir novos conhecimentos sobre as possíveis causas e alternativas ainda mais avançadas de tratamento.

Trata-se de um transtorno complexo, pois envolve o comprometimento de várias áreas, porém, com o tratamento adequado e multidisciplinar, é possível desenvolver o paciente, para que ele consiga ter uma qualidade de vida e desenvolvimento pessoal/profissional.

Veja também a nossa especialização sobre Terapia Cognitivo-comportamental na infância e adolescência.

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