Pensamentos Disfuncionais: o que são e como funcionam?

Pensamentos Disfuncionais: o que são e como funcionam?

Durante nossa rotina, tendemos a alimentar pensamentos que estão diretamente relacionados a uma visão distorcida da realidade que, normalmente, tende a produzir comportamentos negativos, seja consigo mesmo ou com as pessoas de convivência. São os pensamentos disfuncionais.

Eles são responsáveis pela promoção do mal estar do indivíduo e, dependendo do grau e intensidade, podem ser considerados como verdades absolutas. Assim, cria um espaço fértil para o desenvolvimento de quadros de depressão e ansiedade, por exemplo. 

Continue a leitura para compreender quais são esses pensamentos e como eles funcionam.

O que são pensamentos disfuncionais?

Os pensamentos disfuncionais são ideias que aparecem praticamente de forma automática, ou seja, sem passar por qualquer tipo de reflexão que tenha levado a determinada conclusão por uma lógica. De tal forma que o indivíduo considera aquilo como uma verdade absoluta, não sendo capaz de contestá-la.

Também conhecidos por distorções cognitivas ou crenças disfuncionais, esses pensamentos acabam alimentando as crenças centrais e intermediárias, construindo um repertório comportamental produtor de sofrimento.

Alguns estudos da área defendem a ideia de que o pensamento disfuncional tem um fato ativador, normalmente representado pelo o que aconteceu e quais as circunstâncias por trás disso.

Ademais, existe uma crença ou interpretação que é construída com base na posição em que a pessoa se coloca frente ao fato ativador. Por fim, as consequências acabam sendo os sentimentos em relação ao ocorrido.

Exemplos de pensamentos disfuncionais

O psiquiatra David D. Burns divulgou uma lista com alguns dos pensamentos disfuncionais 

que mais aparecem nos casos ao redor do mundo. A lista foi publicada no livro Feeling Good Handbook e abaixo constam 10 dos pensamentos disfuncionais mapeados:

  1. Pensamento de tudo ou nada: podem ser entendidos extremos, devido a uma impossibilidade de chegar ao meio termo. É o famoso “8 ou 80”.
  2. Supergeneralização: hábito disfuncional de interpretar uma situação isolada como verdade estabelecida. Assim, quando o indivíduo se depara com um resultado negativo, é o suficiente para que não se empenhe a fazer novas tentativas.
  3. Filtro mental: tendência de focar em falhas, erros ou aspectos negativos de um acontecimento. Qualquer mínimo detalhe desagradável é a única coisa que a pessoa consegue apreender da situação.
  4. Desqualificação do positivo: nesse caso, trata-se do pensamento de que qualquer evento positivo que tenha acontecido com o sujeito, foi mera coincidência ou obra do acaso. Devido a isso, a experiência positiva não é responsável por evidenciar quaisquer habilidades.
  5. Leitura mental: o indivíduo acredita que consegue adivinhar o que os outros pensam, o que tende a acabar em alguma conclusão precipitada.
  6. Adivinhação: a pessoa acredita que consegue fazer previsões sobre o futuro, criando uma série de cenários e hipóteses que acabam se destoando de uma lógica provável.
  7. Catastrofização: nesse caso, a pessoa aumenta ou diminui o real significado, importância ou até mesmo probabilidade de que determinadas coisas aconteçam. Os indivíduos, então, acreditarão em algo que pode desafiar a própria lógica.
  8. Raciocínio emocional: avaliação de emoções e sentimentos como se fossem fatos concretos, ou seja, como se o que o indivíduo sente fosse a verdade absoluta.
  9. Declarações do tipo “deveria”: a pessoa cria uma idealização de como determinada situação deve acontecer, de forma que seja o melhor cenário para ela. Quando essa situação acontece de forma diferente da idealizada, a angústia e sofrimento é enorme.
  10. Rotulação: ato de designar rótulos negativos a si mesmo e aos outros depois de acontecido algum incidente isolado. Basta uma simples situação para que a pessoa vincule esse adjetivo negativo a si mesmo ou ao outro.

Como funcionam os pensamentos disfuncionais?

Os pensamentos disfuncionais atuam de forma sorrateira na vida do indivíduo. Eles aparecem, no início, de forma mais leve em algumas situações em que a pessoa está saindo da zona de conforto. Esse pensamento fará, em grande parte dos casos, com que a pessoa tenha um comportamento também disfuncional, ou seja, que vai de desencontro a algum (ou vários) aspectos daquela situação.

A partir da instauração de um pensamento automático, a tendência é que esse número aumente, pois o primeiro provavelmente já vai ser considerado como uma verdade absoluta. O sofrimento causado por ele irá criar um ambiente favorável para o desenvolvimento de outros, que servem para alimentar as crenças centrais e crenças intermediárias.

À medida que o sujeito nutre vários pensamentos disfuncionais, a depressão e ansiedade começam a se aproximar de um possível diagnóstico. É comum que o paciente apresente crises de ansiedade e pânico diante determinadas situações que atuarão como gatilho.

Terapia cognitivo comportamental e os pensamentos disfuncionais

A Terapia Cognitivo Comportamental (TCC) acredita que todo indivíduo é diretamente influenciado pelos seus pensamentos. Dessa forma, a maneira como ele interpreta os fatos pode afetar diretamente os seus sentimentos, uma vez que a forma como cada pessoa enxerga, sente, pensa e acredita frente a uma determinada situação, é, normalmente, o que causa sofrimento. 

Dessa forma, a TCC contará com uma série de técnicas e formas de trabalhar o tratamento dos pacientes para que seja possível uma mudança dos pensamentos disfuncionais, que darão lugar a pensamentos saudáveis, condizentes com uma lógica e com a realidade. 

Registro de pensamentos disfuncionais

O Registro de Pensamentos Disfuncionais, por exemplo, é um dos exercícios possibilitados pela Terapia Cognitivo Comportamental para controlar melhor os sentimentos que são produto de todos os pensamentos que temos ao longo do dia, bem como ajudar o paciente a resolver conflitos, contestar pensamentos negativos e alterar comportamentos não produtivos.

O exercício propõe que o paciente elabore uma espécie de diário para proporcionar a consciência das conexões entre emoções que são experimentadas, pensamentos automáticos que aparecem no cotidiano e comportamentos e posturas que são adotados.

A partir das reflexões produzidas neste diário, o paciente consegue, pouco a pouco, descobrir as várias possíveis respostas por trás de cada fato, não algo isolado que alimente um pensamento disfuncional. De forma geral, ele consegue ter condições de enxergar o quadro geral e, assim, buscar novas possibilidades.

Os pensamentos disfuncionais são responsáveis pela produção do sofrimento mental de uma série de pacientes, porém não são uma sentença para ele. A TCC conta com uma série de técnicas capazes de ajudar o sujeito a conquistar sua saúde mental a partir da criação de um repertório comportamental mais saudável.

Quer trabalhar a TCC com seus pacientes? Veja nosso e-book gratuito com material essencial de apoio.

Levando seus tratamentos para um próximo patamar

Agora que você já conheceu mais sobre os pensamentos disfuncionais, que tal contar com a ajuda do IPTC para você aprender na prática como tratar seus pacientes?

Temos diversos cursos, especializações e workshops, todos voltados para um conteúdo prático. O nosso foco é que você saia totalmente seguro para atender, depois de aprender aplicando o conteúdo.

E além disso, você terá um impacto ainda maior na qualidade de vida dos seus pacientes.

Conheça mais sobre nossos cursos.

41 3022-2947
WhatsApp: (41) 9 9263-2977
contato@iptc.net.br

SEDE INSTITUCIONAL
Rua Emiliano Perneta, 822 sl 1201
Centro, Curitiba / PR

SEDE ADMINISTRATIVA
Rua Emiliano Perneta, 10 sl 603
Centro, Curitiba / PR

IPTC - Instituto Paranaense de Terapia Cognitiva.