Reestruturação Cognitiva: Como Aplicar com Seu Paciente

Reestruturação Cognitiva: Como Aplicar com Seu Paciente

A reestruturação cognitiva é uma técnica elucidada pela Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC). Ela tem como objetivo ajudar os pacientes a ressignificarem os pensamentos disfuncionais que estejam provocando sofrimento.

O modo como o outro estrutura as suas experiências de maneira cognitiva tem forte influência na maneira como ele se sente e age, bem como nas reações físicas que ele tem.

Como a TCC é uma abordagem que trabalha o ponto de encontro entre o conhecimento cognitivo e comportamental dos pacientes, a ressignificação cognitiva acaba se tornando um caminho pelo qual terapeuta e cliente buscam entender mais detalhadamente tudo o que está envolvido com os pensamentos disfuncionais.

Ainda ficou com dúvida, certo? Pensando em esclarecer o conceito de reestruturação cognitiva, bem como sua aplicabilidade, escrevemos esse artigo. Continue a leitura para aprofundar seus conhecimentos.

O que é reestruturação cognitiva?

Aaron Beck, em sua obra voltada para o modelo cognitivo da depressão (1976), apresentou o conceito de reestruturação cognitiva como uma forma de interpretar os acontecimentos externos e como isso acaba influenciando nossa reação emocional provocada por eles.

Vamos usar como exemplo o seguinte caso: você combinou de fazer uma parte do trabalho em dupla, enquanto seu colega faria a outra parte. Contudo, horas antes da entrega do trabalho, você percebe que seu amigo não fez o que deveria.

Nesse caso, você tem algumas opções: i) achar que o seu amigo fez de propósito, como um ataque a você; ii) entender que ele está com dificuldade e se oferecer para ajudar; iii) será que a divisão das atividades foi realmente justa ou ele ficou com a maior parte do trabalho?

Cada pensamento que você tiver diante dessa situação irá determinar os sentimentos que serão provocados. Aaron Beck defendia a ideia de que isso acontece o tempo todo, com todos os acontecimentos externos que acontecem conosco.

Dessa forma, a reestruturação cognitiva pode ser entendida como uma técnica capaz de ajudar o paciente a reconhecer e modificar os pensamentos automáticos disfuncionais. Para isso, outras técnicas da TCC podem ser usadas, como o questionamento socrático, identificação dos pensamentos automáticos, registro de pensamentos e diversos outros. 

Qual é o modelo da reestruturação cognitiva?

O terapeuta, ainda que tenha tido o sucesso na identificação dos pensamentos automáticos disfuncionais, pode apresentar dificuldade para aplicação de técnicas que consigam incitar o paciente quanto ao seu desenvolvimento, a partir da ressignificação desses pensamentos.

Como forma de ajudar o terapeuta durante todo o processo, a reestruturação cognitiva pode ser encarada a partir de um modelo, que irá guiar o terapeuta no acompanhamento da transformação de cada paciente. Esse modelo é conhecido como ABC, tendo seu significado explicado a partir de sua sigla:

Letra A

O primeiro ponto é entender que as cognições irão preceder emoções. Ou seja, o pensamento firma um papel extremamente importante na explicação não só do comportamento do paciente, como também de todas as alterações emocionais relacionadas a algum acontecimento externo. Pode-se entender como situação-gatilho, causadora do pensamento disfuncional.

Letra B

No segundo momento, entende-se a própria cognição que o paciente atribui àquela situação vivenciada (letra A). Dessa forma, ela pode ser o pensamento que ele teve no momento do acontecimento, a interpretação e percepção da vivência, ou até mesmo a memória de uma experiência passada.

Letra C

O C é de consequência. Nesse caso, no âmbito emocional, físico e comportamental. Ela tende a se manifestar de forma automática, como a sensação de parar diante de uma situação que causa angústia e medo. Assim, é a partir da percepção dessas consequências que o paciente procura, de fato, ajuda profissional.

Pode-se elucidar, então, que as emoções, conduta e reações físicas se refletem e alimentam as cognições. No modelo A-B-C, as cognições sempre precedem a emoção. Sendo assim, os verdadeiros responsáveis pelas reações emocionais e comportamentais são as expectativas e interpretações de tais acontecimentos, que se baseiam nas crenças relacionadas a eles. 

Qual é a relação entre a TCC e a reestruturação cognitiva?

A reestruturação cognitiva é a base da Terapia Cognitivo-Comportamental. Para entendermos o quão íntima é essa relação, precisamos resgatar a conexão entre as crenças centrais, intermediárias e pensamentos automáticos. É a partir dessas três estruturas que o indivíduo consegue processar e armazenar as informações trazidas pelos estímulos externos.

Através das suas diversas técnicas (inclusive a própria reestruturação cognitiva), a TCC irá trabalhar justamente nos pensamentos automáticos que aparecem, de alguma forma, distorcidos. Como eles estão ligados a crenças (centrais e intermediárias), a Terapia Cognitivo-Comportamental se firma enquanto possibilidade de desatar esse nó que provoca o sofrimento do paciente.

Durante as sessões, o terapeuta irá ensinar o paciente a utilizar a reestruturação cognitiva para que ele consiga construir conclusões mais equilibradas, precisas e eficazes, em detrimento de uma forma disfuncional alimentada no seu passado. 

Por que a reestruturação cognitiva é importante?

A reestruturação cognitiva é o empurrão necessário para que a pessoa consiga sair de um circuito prejudicial, repleto de pensamentos que desencadeiam emoções negativas. Através dela, o paciente passa a aprender diversas novas formas de ver, vivenciar e interpretar situações, compreendendo o seu real poder de escolha frente a um acontecimento externo.

Isso potencializa a autonomia para o paciente, que restabelece a sensação de controle para, assim, diminuir sintomas como ansiedade e depressão. Além disso, a reestruturação cognitiva deixa todo o processo terapêutico mais dinâmico, pois se pauta na troca constante entre terapeuta e paciente.

O paciente consegue, pouco a pouco, desenvolver diversas habilidades que podem ser utilizadas depois das sessões e, querendo ou não, leva para toda a vida. A consequência disso é o fortalecimento da sua inteligência emocional, pois ele passará a ter recursos psicológicos suficientes para lidar com as situações desafiadoras da sua realidade de forma mais saudável.

A técnica da reestruturação cognitiva é um recurso extremamente valioso para o terapeuta usar no tratamento dos mais diversos tipos de transtornos, pois permite que o paciente reconheça a relação entre os seus pensamentos e os seus sintomas. Ademais, é uma alternativa valiosa para ajudar o paciente a assumir maior controle, autoconfiança e autonomia em todos os âmbitos da sua vida.

Levando seus tratamentos para um próximo patamar

Como você viu no texto, a reestruturação cognitiva é muito utilizada na Terapia Cognitivo-comportamental (TCC). E que tal você se tornar um especialista em TCC para poder impactar ainda mais a vida de seus pacientes?

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