Técnicas da Terapia Cognitivo Comportamental para Depressão

Técnicas da Terapia Cognitivo Comportamental para Depressão

Você sabia que existem técnicas da terapia cognitivo comportamental para depressão? A OMS (Organização Mundial da Saúde) compartilhou dados recentes que estimam que a depressão afeta 322 milhões de pessoas atualmente, sendo a principal causa de incapacidade no mundo. 

Além disso, a instituição aponta um aumento de mais de 18% da incidência desse transtorno entre os anos de 2005 e 2015. Entende-se que, no Brasil, a depressão atinge 11,5 milhões de brasileiros, segundo o divulgado pela World Health Organization, em 2017.

O tratamento da depressão, ainda que multidisciplinar, tem participação forte da Psicologia. Existem, por exemplo, técnicas da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) para depressão, capazes de proporcionar um avanço significativo dos quadros.

Continue a leitura para conhecer um pouco mais sobre essas técnicas.

O que é a depressão?

O texto revisado do Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais, 4ª edição (DSM-IV-TR), da Associação Psiquiátrica Americana aponta que a depressão pode se categorizar como episódio depressivo maior (EDM).

Nesses casos, que são mais comuns, o paciente necessita manifestar pelo menos cinco dos nove sintomas:

  • humor deprimido;
  • redução do interesse ou prazer em todas ou quase todas as atividades;
  • perda ou ganho de peso;
  • insônia ou hipersonia;
  • agitação ou retardo psicomotor;
  • fadiga ou perda de energia;
  • sentimentos de desvalia ou culpa inapropriados;
  • redução da concentração;
  • ideias de morte ou de suicídio.

O diagnóstico é pautado, além da manifestação dos sintomas em si, da sua duração, que deverá ser de pelo menos duas semanas. Outro ponto importante em que o diagnóstico se apoia é na manifestação obrigatória do humor deprimido ou da perda de interesse nas atividades.

A distimia e depressão maior crônica são outras duas possibilidades de estruturação da depressão, sendo este primeiro de natureza crônica, com apresentação do humor deprimido ou perda de interesse em quase todas as atividades usuais. Assim, diferencia-se da depressão maior crônica pela intensidade dos sintomas, que não é suficiente para preencher os critérios de EDM. 

Outro ponto de distinção se dá pela forma como é instaurada, ou seja, se a depressão crônica surgiu com um episódio depressivo maior completo, o diagnóstico é depressão maior crônica. Contudo, se o início foi leve e mais insidioso, demandando de pelo menos dois anos para alcançar as proporções do EDM, o diagnóstico é distimia.

Técnicas da Terapia Cognitivo comportamental para depressão

O objetivo do terapeuta na clínica é a reestruturação cognitiva daquele paciente com depressão, de forma que irá guiá-lo a elucidar:

  • as crenças disfuncionais específicas que estão vinculadas ao quadro;
  • as distorções cognitivas mais comuns e a definição dos pensamentos automáticos;
  • as reações fisiológicas, emocionais e comportamentais conseqüentes aos pensamentos;
  • os comportamentos foram construídos para enfrentar as crenças disfuncionais;
  • a maneira pela qual as experiências anteriores corroboram com a manutenção das crenças do paciente.

Para isso, podem ser aplicadas diversas técnicas, sendo as principais:

1. Registro de pensamentos disfuncionais

Trata-se de uma técnica que visa potencializar a objetividade e facilitar a lembrança de eventos, pensamentos e sentimentos ocorridos entre as sessões. O terapeuta deve orientar e treinar o paciente para conseguir registrar diariamente, para, assim, ser capaz de identificar os pensamentos automáticos, apresentando primeiro os estados emocionais. 

Nesse registro — em um quadro — devem ser anotados, sequencialmente, o evento e o pensamento que se sucedeu ao evento, normalmente vinculado a uma emoção ou comportamento disfuncional.

Além disso, o quadro deve conter uma coluna adicional para o registro de uma observação referente a quanto o paciente acredita que aquele pensamento seja verdadeiro.

Em seguida, é registrada a emoção, bem como o seu grau, numa escala de 0 a 10 ou 0 a 100. Ademais, há uma coluna de evidências, além da coluna para gerar o pensamento alternativo sobre a situação. Finalmente, pede-se ao paciente que quantifique o quanto acredita no novo pensamento, assim como a intensidade da emoção.

Existem alguns modelos de registro de pensamentos disfuncionais online e nós preparamos um para te ajudar. Basta baixar aqui.

2. Seta descendente

Essa técnica propõe a investigação das possíveis crenças subjacentes que alimentam o pensamento disfuncional, questionadas através de um método de questionamento socrático denominado seta descendente. É uma técnica também utilizada para ajudar o paciente a desenvolver um raciocínio autônomo para questionar as evidências e criar pensamentos e avaliações alternativas. 

O confronto das evidências dos pensamentos e os pensamentos em si pode ajudar o paciente a despotencializá-los, reduzindo os sentimentos de medo, tristeza ou desmotivação. 

3. Decatastrofização

Entende-se por catastrofização a elevação dos acontecimentos a um nível disfuncional que leva o paciente a idealizar reações incomuns no seu organismo, a partir de sintomas considerados como comuns como, por exemplo, relacionar uma simples tontura com um início de ataque cardíaco (MANFRO, et al., 2008).

Nesse contexto, a descatastrofização é um recurso terapêutico extremamente eficiente, em que o terapeuta propõe ao paciente um teste à realidade de seus pensamentos negativos/catastrofizados. 

Nada mais é do que um conjunto de técnicas, dentre elas a as projeções de tempo e questionamentos sobre possibilidades e desfechos de eventos ocorrerem (CANALS, et al., 2009)

4. Coping

De acordo com Viana (2012), o coping pode ser entendido como uma estratégia em que se torna possível a regulação das emoções/sofrimento e a gestão do problema. É, então, uma avaliação que define as estratégias de enfrentamento a serem realizadas, através de um instrumento denominado de Inventário de Estratégias de Coping (IEC).

A técnica também propõe ressignificar um evento aversivo e definir novas metas para resolução dos problemas. Dessa forma, o coping define-se como habilidade para desenvolvimento de estratégias de enfrentamento de situações que são aversivas para o paciente.

Um detalhe importante apresentado por Aziz, Klein e Treur (2011) é o fato de que é preciso considerar as diferentes formas com que as pessoas se adaptam e desenvolvem as habilidades de enfrentamento.

Existem inúmeras técnicas da Terapia Cognitivo-Comportamental para a depressão, cabendo ao terapeuta entender quais seriam mais apropriadas para cada caso, visto que o transtorno se manifesta de formas diferentes em cada paciente.

Contudo, independentemente das técnicas, é possível construir um treinamento eficaz, capaz de dar mais autonomia ao paciente frente às decisões que precisa tomar na vida, graças à reestruturação cognitiva.

Levando seus tratamentos para um próximo patamar

Como você viu no texto, as técnicas da terapia cognitiva comportamental para depressão são muito utilizadas dentro da Terapia Cognitiva-Comportamental (TCC). E que tal você se tornar um especialista em TCC para poder impactar ainda mais a vida de seus pacientes?

O IPTC conta com um curso de Terapia Cognitiva-Comportamental totalmente voltado para a prática! Você terá aulas sobre o assunto com uma estrutura e metodologia validadas por nossos + 1.000 alunos.

Conheça mais sobre o nosso curso!

41 3022-2947
WhatsApp: (41) 9 9263-2977
contato@iptc.net.br

SEDE INSTITUCIONAL
Rua Emiliano Perneta, 822 sl 1201
Centro, Curitiba / PR

SEDE ADMINISTRATIVA
Rua Emiliano Perneta, 10 sl 603
Centro, Curitiba / PR

IPTC - Instituto Paranaense de Terapia Cognitiva.