Transtorno de Personalidade Limítrofe: O que é, Sintomas e Tratamento

Transtorno de Personalidade Limítrofe: O que é, Sintomas e Tratamento

Conseguimos entender que um transtorno se dá quando esses traços de personalidade apresentam certo “desvio” significativo em relação aos outros. Existem diversos tipos de transtornos da personalidade e o Transtorno da Personalidade Limítrofe é um deles.

É curioso pensar em personalidade como algo mensurável, mas, para isso, precisamos entender que o traço da personalidade é simplesmente um aspecto duradouro do comportamento de uma pessoa. Esses traços podem aparecer como desconfiança, ansiedade, comunicação, entre outros.

Ficou curioso? Então continue lendo, pois vamos conversar mais sobre o Transtorno de Personalidade Limítrofe.

O que é Transtorno da Personalidade Limítrofe?

Mais conhecido como Borderline, o Transtorno da Personalidade Limítrofe é definido como intensa instabilidade na vida. Sendo assim, momentos de euforia podem transformar-se drasticamente em momentos de depressão.

Isso pode afetar relacionamentos, autoimagem, humor e comportamento, bem como desencadear a hipersensibilidade à possibilidade de rejeição e abandono. Dessa forma, o sujeito sempre se posiciona na borda ou no limite de uma explosão, seja ela direcionada a si ou ao outro.

Em momentos de crise, o sujeito acaba sendo mais impulsivo, podendo culminar em tentativas de autoextermínio ou automutilação. Além disso, a comunicação com o outro tende a ser extrema também, devido à necessidade de apoio constante.

Quais são as particularidades do Transtorno da Personalidade Limítrofe?

Cada transtorno da personalidade tem suas particularidades, sendo o medo do abandono uma característica bem presente em pacientes com Transtorno da Personalidade Limítrofe. O sujeito sente um vazio intenso, incapaz de ser preenchido pela própria companhia.

Dessa forma, ele apoia-se no outro como tentativa de amenizar a angústia sofrida, criando uma relação de dependência e alimentando o sofrimento em sua ausência. Esse medo é nutrido pela sensação de que podem ser abandonados ou não serem atendidos.

Em casos mais extremos, o Transtorno pode fazer com que o sujeito opte pelo isolamento voluntariamente para evitar que outros o façam. Ou seja, ele prefere afastar-se das relações, pois já tem a certeza que, eventualmente, serão abandonados.

O medo do isolamento acaba potencializando uma raiva desproporcional às situações. Muitas vezes, as reações das pessoas ao redor são interpretadas como rejeição ou abandono, nutrindo uma raiva que, muitas vezes, é expressada no real do corpo.

A instabilidade também é algo bem presente nesse quadro. A postura do sujeito pode mudar de acordo com a percepção que ela tem sobre a disponibilidade e o apoio do outro. Quando ela se sente acolhida, pode ficar vulnerável e carente. Em contrapartida, quando se sente ameaçada ou decepcionada, pode ficar com raiva e desvalorizar as outras pessoas.

Outro ponto comum é a auto sabotagem, pois pessoas que estão nesse quadro comumente buscam motivos para declinar de algo quando estão prestes a alcançar um objetivo para ter no outro o apoio constante.

O sujeito com Transtorno de Personalidade Limítrofe pode também ter uma mudança drástica e repentina na autoimagem, revendo e construindo novos objetivos, valores, opiniões, carreiras ou amigos.

Como realizar o diagnóstico do Transtorno de Personalidade Limítrofe?

É importante entender que esse diagnóstico só pode ser construído por profissionais da Psicologia e da Psiquiatria. Para isso, eles contam com uma série de processos — como anamnese, psicoterapia e outras ferramentas específicas de cada abordagem — para, cuidadosamente, construir o caso.

Contudo, o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders), Quinta Edição (DSM-5) ainda reforça que caso o sujeito tenha pelo menos cinco dos itens abaixo, a tendência de ter o Transtorno da Personalidade Limítrofe se torna mais forte:

  • Fazer esforços desesperados para evitar o abandono (real ou imaginado).
  • Ter relacionamentos intensos e instáveis que se alternam entre idealização e desvalorização da outra pessoa.
  • Mudar frequentemente a autoimagem ou senso de si.
  • Agir impulsivamente em, no mínimo, duas áreas que poderiam prejudicá-la (como praticar sexo inseguro, alimentar-se compulsivamente ou dirigir de forma imprudente).
  • Ter repetidamente comportamentos suicidas, incluindo tentativas e ameaças de suicídio e automutilação.
  • Ter mudanças rápidas no humor, que normalmente duram apenas algumas horas e raramente mais do que alguns dias.
  • Sentimento de vazio crônico
  • Sentir raiva intensa e não justificada ou ter dificuldade em controlar a raiva.
  • Ter pensamentos paranoicos temporários ou sintomas dissociativos graves (sensação de que não é real ou desprendimento de si mesma) desencadeados por estresse.

O diagnóstico, ao contrário do que muitos pensam, não deve ser considerado para rotular, mas para orientar a rede de profissionais envolvidos no caso sobre as melhores alternativas de tratamento. Cabe aos profissionais que acompanham o caso, reforçarem com o paciente de que ele não se resume ao diagnóstico.

Como o tratamento pode ser feito?

A psicoterapia é grande aliada no tratamento do Transtorno da Personalidade Limítrofe. Todas as abordagens da Psicologia são perfeitamente capazes de trabalhar esse quadro, cada uma com seu leque de ferramentas.

Dessa forma, o paciente consegue escolher a abordagem que mais se identificar. É importante frisar que a troca de psicólogo pode acontecer ao longo do tratamento, caso sinta-se a necessidade.

Um dos objetivos macros da psicoterapia para esses casos é ajudar o sujeito a construir uma identidade que não dependa do outro, ou seja, alimentar a autonomia e autoconfiança. A consequência disso é melhor posicionamento perante ao outro, desenvolvendo uma relação interpessoal mais saudável.

Há alguns casos que percebe-se a necessidade de acompanhamento medicamentoso, supervisionado pelo psiquiatra. Existe uma infinidade de medicamentos que são indicados com base no caso e no perfil de cada sujeito.

Podemos destacar os que ajudam a estabilizar o humor, os que ajudam a amenizar a ansiedade, a raiva e distorções no pensamento relacionados ao estresse e, até mesmo, inibidores seletivos de recaptação da serotonina (ISRSs), normalmente usados como antidepressivo.

É preciso entender que o autodiagnóstico não pode ser feito, pois a definição do diagnóstico não acontece de um dia para o outro, muito menos com base em uma só percepção. O Transtorno da Personalidade Limítrofe tem uma série de detalhes que podem sofrer alterações de uma pessoa para outra, necessitando de um cuidado e escuta extremamente acolhedores.

Chegar ao diagnóstico e tratar o paciente com Transtorno de Personalidade Limítrofe não são tarefas fáceis, até porque não seguem uma receita de bolo. Tudo vai depender daquele sujeito e é preciso estar atento às nuances comportamentais ao longo do tratamento. Lembre-se de que é uma construção conjunta.

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