Transtorno de Personalidade Paranoide: O que é, Como Diagnosticar e Tratar

Transtorno de Personalidade Paranoide: O que é, Como Diagnosticar e Tratar

Você provavelmente já deve ter presenciado alguém julgar outra pessoa como “paranoico”, certo? No entanto, ao contrário do que o senso comum transparece, o Transtorno de Personalidade Paranoide é mais do que apenas a desconfiança.

Muitas pessoas não sabem ao certo o que é este transtorno e acabam confundindo com a desconfiança. Contudo, a doença é caracterizada por uma desconfiança excessiva, que interfere no modo em que o sujeito pensa, age e sente.

Continue a leitura para entender quais são os sintomas e formas de tratamento.

O que é Transtorno de Personalidade Paranoide?

O Transtorno de Personalidade Paranoide (TPP) pode ser entendido como um padrão generalizado de desconfiança. Nesse sentido, o sujeito suspeita injustificadamente de outras pessoas, por julgar que estão com intenções maliciosas.

Esse padrão normalmente começa a se manifestar no início da fase adulta, podendo se adaptar a diversos contextos. Os sujeitos acometidos por esse transtorno têm a constante sensação de que as outras pessoas estão tentando manipulá-los de alguma forma.

O Transtorno de Personalidade Paranoide acomete entre 2,3% a 4,4% da população norte americana, prevalecendo em sujeitos do sexo masculino, de acordo com o Manual MSD. Ademais, estudos evidenciaram uma relação estreita entre Esquizofrenia e Transtornos Delirantes.

Sintomas do Transtorno de Personalidade Paranoide

De acordo com o DSM-V (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), os sujeitos podem manifestar o desenvolvimento do Transtorno de Personalidade Paranoide de várias formas, sendo englobadas em algumas características:

  • Suspeita constante de que as pessoas estão explorando, enganando e manipulando de alguma forma;
  • Dúvida da confiabilidade dos seus amigos e colegas de trabalho, gerando preocupação;
  • Resistência para confiar em outras pessoas, pois pensa que, caso se exponha, as informações compartilhadas serão usadas contra ele;
  • Interpretação deturpada dos eventos positivos, pois acredita que tem algum significado ameaçador, depreciador ou hostil;
  • Retenção de rancor;
  • Atitude responsiva e rápida para reagir com raiva ou contra-atacar, visto que acredita que estão duvidando do seu caráter;
  • Suspeita constante e sem fundamento sobre a fidelidade do (a) cônjuge.

Os pacientes tendem a demonstrar grande hostilidade e esse sentimento perdura por muito tempo. Sentem-se profundamente atacados e/ou menosprezados diante grande parte das situações e, devido a isso, acreditam que o outro sempre voltará a ele com intenções nocivas.

Por duvidarem constantemente do (a) cônjuge, tendem a ser extremamente ciumentos. Nesse contexto, os pacientes apoiam as crenças ciumentas em evidências triviais que, segundo eles, sustentam e evidenciam seus motivos.

Outra manifestação do transtorno é a tentativa de manter o total controle do relacionamento interpessoal, principalmente do afetivo. Para evitar traições e decepções, entendem que a saída correta é saber sempre o paradeiro, intenções, rede de convívio e todos os detalhes possíveis do (a) parceiro (a).

O sujeito tem “episódios psicóticos”, que podem durar por minutos ou horas. Nesses momentos, tendem a externalizar fantasias irrealistas, sem embasamento e sempre pautadas em motivações malévolas.

Por sentirem dificuldade de se relacionar, além de terem a noção de hierarquia deturpada, são atraídos por situações ambíguas. Além disso, são conhecidos por se fixarem demasiadamente em um tema, considerados como “fanáticos”. Dessa forma, é comum vê-los participar de grupos estreitamente fechados, compostos por pessoas que tem pensamentos semelhantes.

Quem tem o Transtorno da Personalidade Paranoide pode desenvolver, entre outros:

Tratamento do Transtorno da Personalidade Paranoide

Realizar a escuta ativa

O primeiro passo para o tratamento dos pacientes com Transtorno da Personalidade Paranoide é fazer o diagnóstico. Para isso, é preciso uma escuta ativa, pois nem sempre o paciente irá expor os discursos persecutórios de forma escancarada, então cabe a (o) psicóloga (o) treinar sua escuta para o discurso velado.

Definir a abordagem da Psicologia

Todas as abordagens da psicologia são aptas e qualificadas para tratar pacientes com TPP, porém, existem tipos de abordagens que são mais aderentes a determinados tipos de perfil. Às vezes, o paciente não se adapta à abordagem e se esse for o caso, não há nada de errado em buscar apoio por outra ótica.

A Terapia Cognitivo-Comportamental, também conhecida como TCC, é indicada para o tratamento de pacientes com o transtorno, visto que age com o foco em mudar as suposições básicas que o indivíduo construiu ao longo dos anos. Assim, ele consegue desenvolver a autoeficácia, ou seja, a capacidade de ter uma postura ativa frente às situações.

Apesar da dificuldade que o terapeuta pode ter em estabelecer um vínculo com o paciente, justamente pela resistência que o indivíduo tem de se relacionar com o outro, é fundamental que ele consiga, pouco a pouco, desconstruir essa barreira.

Identificar as crenças

Além disso, cabe ao terapeuta avaliar as crenças construídas, demonstradas através dos perigos que são percebidos como reais. Leahy (2006) sugere algumas técnicas, como:

  • O exercício do  continuum,  que  ajuda  o  paciente  a encontrar um meio termo nos pensamentos do tipo “tudo  ou nada”;
  • A seta descendente, pela compreensão das crenças subjacentes ao pensamento;
  • Definição conjunta de termos apresentados pelo paciente;
  • Modificação dos pensamentos negativos;
  • Observação a partir  da sacada que possibilita o sujeito assumir perspectiva frente suas vivências.

À medida em que o tratamento é realizado e o indivíduo dá mais abertura ao terapeuta, é recomendável iniciar a realização do exame e qualidade das vivências. Para isso, é proposta a atividade de, em conjunto, listarem os pontos contra e a favor de determinados pensamentos e comportamentos, a fim de entender o impacto deles na vida do paciente e a noção de realidade desenvolvida por ele.

Equipe Multidisciplinar

A depender do caso, é possível que seja necessário incluir outros profissionais do tratamento, por exemplo, para intervenção medicamentosa, fisioterapia ou fonoaudiologia. Nessas situações, é importante que os envolvidos estejam sempre em alinhamento.

Pacientes com Transtorno de Personalidade Paranoide conseguem conviver em sociedade, porém podem ter dificuldade em algumas situações. O mais importante, nesse contexto, é entender as limitações e os pontos fortes, para, assim, pouco a pouco, construir a autoestima e autoconfiança, de forma a ter uma relação mais harmônica com o outro e com o mundo.

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