Questionamento Socrático: Conheça sua aplicação na TCC!

Questionamento Socrático: Conheça sua aplicação na TCC!

A Terapia Cognitivo-Comportamental é uma abordagem da Psicologia voltada para uma prática clínica breve, estruturada e orientada para a solução de problemas. Para isso, o terapeuta se pauta no princípio de que as cognições influenciam e controlam as emoções e os comportamentos. E é aí que surge o questionamento socrático.

O questionamento socrático é uma técnica proposta pela TCC para ajudar o indivíduo a elucidar com maior facilidade e realmente ver sentido nos padrões comportamentais disfuncionais que apresenta.

Trata-se de uma das principais técnicas para a modificação de pensamentos automáticos. Ela é realizada por meio da identificação e registro dos pensamentos disfuncionais e do direcionamento do paciente para uma avaliação feita através de perguntas que o levem a pensar de forma a conquistar a real compreensão na tomada de decisões racionais graças às suas próprias conclusões. 

O que é o questionamento socrático?

O questionamento socrático, também conhecido como maiêutica socrática ou até mesmo método socrático, foi desenvolvido por Sócrates no século IV a.C. Ele aponta que o indivíduo é guiado à descoberta da verdade sobre um tema específico através das perguntas que são feitas a ele sobre esse assunto.

Esse processo tem vários objetivos e possibilidades, dentre eles: 

  • Alcançar a verdade dos fatos através da exploração de ideias mais complexas;
  • Explorar questões, problemas e suposições variadas;
  • Analisar conceitos, mesmo que nunca elucidados pelo paciente;
  • Distinguir o conhecido do desconhecido;
  • Entender e acompanhar as implicações lógicas relacionadas ao pensamento;
  • Controlar determinada discussão.

Sócrates elaborou o questionamento socrático por acreditar que o conhecimento sobre as diversas questões da vida é latente à mente humana. As perguntas são o caminho mais eficaz para isso, uma vez que se constitui um processo profundo e bem estruturado, realizado de modo perspicaz.

Dessa forma, entende-se como uma espécie de exploração cooperativa de determinado tema. É uma atividade que proporciona a modificação de padrões disfuncionais de pensamento, colocando o paciente no lugar de sujeito do seu conhecimento. Assim, busca motivá-lo a delinear seus problemas, bem como encontrar as respostas para solucioná-los. 

Como funciona o questionamento socrático na prática?

O principal objetivo do questionamento socrático é o oposto de debater e confrontar as cognições disfuncionais, mas sim criar uma relação de parceria entre o paciente e terapeuta, que irá guiá-lo em um processo de descoberta bem intenso.

O terapeuta coloca essa técnica em prática através da investigação e questionamento com respostas livres para orientar o paciente para o entendimento do seu problema. Uma vez que o problema é identificado, o questionamento também ajuda a explorar as possíveis soluções que conseguiriam ajudar o paciente a lidar melhor com essas dificuldades.

O questionamento socrático é, nada mais, do que uma forma de evidenciar fatos que estejam corroborando para a manutenção de comportamentos disfuncionais. A técnica consiste em perguntas abertas, que instigam a reflexão à respeito da incongruência da crença que está sendo questionada.

O terapeuta irá buscar, a partir dessa ação, a redução da credibilidade da crença, como base para interpretação de eventos e atribuição de significados. A argumentação racional que cria-se nesse momento, proporciona ao paciente o maior distanciamento desse preceito e, consequentemente, o impacto emocional que é necessário para o início da modificação desses comportamentos.

As perguntas têm como foco voltar o paciente para observar os seus pensamentos com um distanciamento, colocando-se na posição de observador para, assim, perceber o quanto a interpretação de determinada ideia pode estar distorcida ou sem sentido algum.

Para que a técnica tenha sua efetividade potencializada, é interessante que o terapeuta apresente as perguntas ao paciente de forma gradual e empática, tomando o cuidado para não transformar a conversa em uma acusação. 

O terapeuta também precisa se atentar aos propósitos das questões formuladas para ter muito bem mapeado o que cada pergunta evocará no interlocutor, por exemplos:

  • esclarecimento;
  • expressão de dúvida;
  • evocação de responsabilidade;
  • levantamento de provas e justificativas;
  • consideração de consequência. 

Com as respostas, é possível a flexibilização dos pensamentos disfuncionais, ampliando o repertório de respostas frente a eventos-gatilho e complementando o repertório comportamental com comportamentos realmente funcionais.

A aplicação do método socrático ainda promove maior participação ativa do paciente no seu tratamento e progresso, o que intensifica a relação terapêutica. O paciente fica mais engajado, tem sua indagação estimulada, passa a entender melhor as cognições e sua relação com os comportamentos. Por fim, consegue identificar, avaliar e responder apropriadamente aos pensamentos e crenças disfuncionais.

Como as perguntas devem ser formuladas?

Existem diversas maneiras de elaborar perguntas que sejam profundas o suficiente para conseguirem provocar a reflexão do paciente, mas não evasivas a ponto de deixar o paciente desconfortável para respondê-las. Algumas estratégias podem ser usadas para ajudar nesse processo, como:

  • Perguntas que revelem oportunidades de mudança. É importante abrir um leque de possibilidades para conseguir mostrar para o paciente que, se o pensamento for modificado, as emoções dolorosas podem diminuir ou fazer com o que o paciente consiga enfrentá-las de forma mais saudável. 
  • Perguntas que tragam resultados. As melhores perguntas socráticas são produto do rompimento do padrão de pensamento disfuncional mais rígido para, ao invés disso, apresentarem ao paciente alternativas razoáveis e produtivas. Nesse sentido, se o questionamento socrático não estiver produzindo qualquer resultado emocional ou comportamental, é preciso revisar as intervenções. 
  • Perguntas que envolvam os pacientes no processo de aprendizagem. É preciso que o terapeuta estimule a curiosidade do paciente e incentivá-lo a analisar a situação sob diversas perspectivas.
  • Perguntas que sejam um desafio. O paciente deve ser instigado a pensar, mas que não o faça sentir-se pressionado ou intimidado. Nesse processo, é preciso levar em consideração o nível de funcionamento cognitivo, os sintomas e a capacidade de concentração do paciente.

O questionamento socrático é uma intervenção psicoterapêutica capaz de levar o cliente a questionar a si e aos seus atos, pensamentos e sentimentos. É uma técnica que promove a investigação sobre as emoções e comportamentos relacionados a elas para fazer o levantamento de hipóteses que originem maior clareza sobre os padrões comportamentais disfuncionais para, assim, conseguir modificá-los.

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