Transtorno de Personalidade Esquizotípica: O que é, Como Diagnosticar e Tratar

Transtorno de Personalidade Esquizotípica: O que é, Como Diagnosticar e Tratar

O Transtorno da Personalidade Esquizotípica é marcado pelo comprometimento das relações interpessoais, assim como diversos outros Transtornos. Contudo, é preciso atenção para entender as nuances que o diferencia dos demais.

A característica fundamental do Transtorno da Personalidade Esquizotípica é o desconforto intenso e baixa capacidade de desenvolver relacionamentos íntimos, elucidando um déficit social. Normalmente, esse padrão de comportamento é manifestado na vida adulta, podendo se adaptar a diferentes contextos. 

Continue a leitura para entender um pouco mais sobre este transtorno.

O que é o Transtorno de Personalidade Esquizotípica?

O Transtorno da Personalidade Esquizotípica, como o próprio nome já diz, se enquadra na classificação de transtornos da personalidade. Ele é marcado pela desorganização do pensamento e da fala, em virtude do distanciamento entre as experiências cognitivas e a realidade.

A prevalência de casos do Transtorno da Personalidade Esquizotípica varia, mas gira em torno de 3,9% da população norte-americana em geral, sendo ligeiramente mais comum entre os homens.

O Manual MSD (Merck Sharp & Dohme) aponta que a etiologia do Transtorno de Personalidade Esquizotípica seja essencialmente biológica, uma vez que possui semelhança com muitas das anormalidades cerebrais características da esquizofrenia. Assim, se torna um quadro mais comum em parentes de 1º grau de indivíduos com esquizofrenia ou outro tipo de transtorno psicótico.

Quais os sintomas e como diagnosticar pacientes com Transtorno de Personalidade Esquizotípica?

O preceito básico de um bom diagnóstico é a observação e interpretação atenta dos sintomas apresentados pelo paciente. Nesse sentido, o primeiro passo para que a equipe profissional envolvida no caso conduza o diagnóstico é a anamnese.

O Manual Estatístico e Diagnóstico de Transtornos Mentais (DSM-V) aponta a necessidade de observação de pelo menos cinco dos sintomas abaixo:

  • Ideias de referência, desde que não sejam delírios de referência;
  • Crenças estranhas ou pensamento alimentado por um viés mítico, capazes de influenciar o comportamento, como superstições, fantasias, telepatia, dentre outros;
  • Pensamento e discurso desconexo, seja pelo padrão vago, metafórico ou até mesmo excessivamente estereotipado;
  • Falta de confiança nas pessoas ou ideação paranóide;
  • Afeto inadequado ou constrito;
  • Comportamento tido como estranho, excêntrico ou peculiar;
  • Ausência de amigos próximos ou confidentes que não sejam da família;
  • Ansiedade social excessiva, vinculada a temores paranoides e que não diminui com o convívio.

Essas características macro são ilustradas pelos diversos comportamentos emitidos pelo paciente, que acredita ter poderes especiais e, graças a eles, sentir eventos antes mesmo deles acontecerem ou ler pensamentos alheios, por exemplo.

Como esses pacientes tendem a ter um comprometimento maior da fala e pensamento linear, as respostas apresentadas pelos pacientes podem ser concretas demais ou abstratas demais. Além disso, palavras e conceitos são, por vezes, aplicados de maneiras pouco habituais.

Pacientes com Transtorno da Personalidade Esquizotípica normalmente buscam tratamento para os sintomas relacionados à ansiedade, não pelo transtorno da personalidade em si. É importante entender que, quando submetido ao estresse, indivíduos com o transtorno acabam se tornando passíveis de sofrer um episódio psicótico transitório.

Os sujeitos com Transtorno da Personalidade Esquizotípica encaram os relacionamentos interpessoais como um imenso problema, potencializando o desconforto em se relacionar com outras pessoas. 

Mais da metade dos indivíduos com esse quadro pode ter história de pelo menos um episódio depressivo maior. Além disso, cerca de 50% dos indivíduos diagnosticados com Transtorno da Personalidade Esquizotípica têm um diagnóstico paralelo de Transtorno Depressivo Maior, quando são postos sob a ótica da clínica psicoterapêutica.

Como tratar um paciente com Transtorno da Personalidade Esquizotípica?

O tratamento de pacientes com Transtorno da Personalidade Esquizotípica acaba sendo semelhante ao plano dos demais transtornos da personalidade. Dessa forma, a psicoterapia e a intervenção medicamentosa se tornam as bases do tratamento de grande parte dos pacientes.

Medicamentos

A intervenção medicamentosa se faz necessária em alguns casos. Sendo assim, com o objetivo de promover alívio, o psiquiatra pode receitar o uso de antipsicóticos atípicos para diminuir a ansiedade e os sintomas psicóticos, por exemplo.

O psiquiatra pode encaminhar o paciente para alguma outra especialidade médica, a fim de investigar alguma comorbidade que tenha impacto direto no quadro. As intervenções medicamentosas também são abordadas nesse momento, a fim de analisar todas as possíveis interações na rotina do paciente.

Psicoterapia

A psicoterapia é outra parte da base do tratamento. Ela pode ser conduzida por psicólogos (as) de todas as abordagens, pois todas têm a bagagem técnica necessária para elaboração de intervenções assertivas.

Todavia, a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é comumente recomendada para tratamento de pacientes com Transtorno da Personalidade Esquizotípica, visto que tem a proposta de investigar a fundos as habilidades sociais de forma que elas possam, pouco a pouco, sendo introduzidas e difundidas na vida do paciente.

Os terapeutas que adotam a TCC vão entender, com base nos relatos e observações do paciente, os pensamentos automáticos, vinculando-os a crenças centrais e intermediárias. O papel importante do terapeuta, nesse cenário, é ensinar o paciente a refletir acerca das suas próprias crenças, bem como buscar evidências concretas para sustentá-las.

Nessas circunstâncias, os pacientes interagem com outras pessoas apenas quando não tiverem outra opção. Ele prefere não estabelecer interações, pois sentem que são diferentes e alimentam a sensação de que eles não se enturmam.

Existe uma série de técnicas adotadas por profissionais da TCC para a construção de intervenções pontuais. Além disso, a equipe envolvida no caso pode crescer de acordo com cada caso, ou seja, o paciente pode demandar do contato com fisioterapeuta, educador físico, nutricionista, fonoaudiólogo, entre outros.

Rede de apoio

A rede de apoio também se torna fundamental para os pacientes, mesmo que eles não mantenham o vínculo social ativo. A noção de pertencimento é algo extremamente valioso, principalmente para pacientes com Transtorno da Personalidade Esquizotípico, então cabe às pessoas com o mínimo de vínculo possível, se envolvam no processo de tratamento.

É preciso ter em mente, entretanto, que os resultados podem ser observados a médio ou longo prazos, visto que tem interface com diversas áreas da vida do paciente, envolvendo uma gama de emoções que precisam ser destrinchadas para a evidência de um progresso.

O Transtorno da Personalidade Esquizotípica é um transtorno passível de tratamento, capaz de ajudar o paciente a construir comportamentos socialmente aceitáveis, funcionais e confortáveis para a realidade dele.

Quer entender mais sobre Transtornos da Personalidade? Veja nosso artigo sobre Transtorno da Personalidade Esquizoide.

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