Avaliação Neuropsicológica: Conheça Essa Técnica!

Avaliação Neuropsicológica: Conheça Essa Técnica!

A avaliação neuropsicológica é uma técnica usada pelos profissionais para diagnosticar, com maior assertividade, a situação cognitiva do paciente. Dessa forma, também conseguir construir o tratamento mais adequado e eficiente.

A Neuropsicologia é um ramo extremamente amplo, que visa entender a associação do comportamento humano com as funções cerebrais. Além disso, se tem como objetivo descobrir e entender padrões de comportamento.

É um termo primeiramente introduzido no meio científico por William Oslert, nos Estados Unidos. Desde então, inúmeros progressos foram feitos para que a Neuropsicologia passasse a ser considerada como ciência. 

Por isso, esse ramo visa entender a forma em que o funcionamento cerebral influencia nas funções cognitivas (atenção, memória e emoção, dentre outros).

Continue a leitura para entender como ela é aplicada na prática.

Avaliação neuropsicológica: o que é e para que serve?

A avaliação neuropsicológica é um exame neuropsicológico que, de forma não invasiva, proporciona a avaliação mais detalhada do desempenho do funcionamento cerebral e suas funções cognitivas. 

Portanto, ela é responsável por investigar o desempenho da concentração, memória, raciocínio, organização de ideias, linguagem e cálculos, dentre outros. Tal avaliação pode ser aplicada para a análise dos sintomas descritos pelo paciente e é baseada na aplicação de testes, escalas e questionários aprovados por estudos das comunidades científicas internacionais.

É uma avaliação aprofundada, que busca se apoiar nos detalhes aparentemente mínimos, porém, fundamentais para o entendimento da singularidade de cada paciente, bem como o nível de comprometimento de cada aspecto cognitivo.

Assim, torna-se possível identificar, por exemplo, lapsos de memória antes mesmo que isso seja notado pelo próprio paciente ou pessoas próximas. Na prática, ele é aplicado no decorrer das sessões, demandando entre 5 e 7, no total. Para a eficácia do processo, ela precisa obedecer algumas etapas:

  1. Entrevista Inicial

A entrevista funciona como uma espécie de anamnese, buscando entender a história clínica do paciente. Além disso, o profissional procura ouvir também os relatos da família acerca das mudanças comportamentais do paciente. É o momento de colher informações que permitam contextualizar o desempenho do indivíduo nas suas atividades diárias.

  1. Aplicação de testes

A Psicologia possui uma gama de testes capazes de estudar as chamadas “funções cognitivas superiores” (como memória, atenção, raciocínio lógico, fluência verbal, velocidade do fluxo de pensamento, dentre outras). 

Sendo assim, o profissional pode usar baterias de inteligência e diferentes escalas de avaliação de sintomas cognitivos e comportamentais. Com isso, é possível elaborar o melhor conjunto de testes para análise da demanda coletada na etapa de entrevista.

Uma vez coletadas as respostas, é feita a comparação das respostas dadas pelo paciente com as do grupo normativo (conjunto de pessoas saudáveis com escolaridade e idade semelhantes), de forma a averiguar se trata-se de um quadro patológico, normativo ou superior ao padrão (em casos de altas habilidades).

  1. Devolução do laudo

O paciente tem o direito de ter a devolutiva dos seus testes. Nesse contexto, o profissional de Psicologia tem o prazo de 15 dias após a última aplicação dos testes selecionados para fazer um momento de devolutiva com o paciente.

Além disso, é importante ressaltar que a antecipação da entrega do laudo pode ser solicitada diretamente ao profissional e será avaliada a viabilidade pelo mesmo. Uma vez marcada a sessão devolutiva, é gerado um laudo da avaliação neuropsicológica, contemplando todas as respostas e insights ligados a elas.

É uma etapa feita não para comunicar um diagnóstico, mas, sim descrever o perfil cognitivo e emocional da pessoa, bem como fornecer-lhes estratégias para o tratamento. É a partir desse momento que as intervenções clínicas começam a surgir.

De acordo com o Conselho Federal de Psicologia (CFP), apenas profissionais com formação em Psicologia podem realizar psicodiagnósticos e utilizar os testes normatizados e aprovados no SATEPSI – Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos (salvo o teste Neupsilim). 

Apesar da neuropsicologia ser uma área multidisciplinar, somente neuropsicólogos com formação em Psicologia poderão usar os instrumentos aprovados pelo Conselho Federal de Psicologia para avaliação neuropsicológica, com respaldo técnico e ferramentas que são necessárias para a melhor compreensão dos resultados.

Quem precisa de avaliação neuropsicológica?

O exame neuropsicológico é indicado em diferentes situações clínicas, podendo ser aplicada para todas as faixas etárias. Geralmente, é requisitada para a investigação e estabelecimento de um diagnóstico clínico, além de ajudar a traçar o perfil cognitivo nos casos em que já exista um diagnóstico clínico. 

Assim, não existe uma regra para selecionar os casos em que a avaliação pode ser aplicada, dependendo da expertise do profissional para tomada desta decisão. De forma geral, ela é comumente indicada quando há indícios dos quadros abaixo:

  • Avaliação e diagnóstico de Doença de Alzheimer;
  • Avaliação e diagnóstico diferencial das Demências;
  • Verificação de déficit cognitivo associado à idade (Comprometimento Cognitivo Leve);
  • Avaliação de alterações cognitivas nos quadros de AVC, TCE, neuro-infecções e tumores cerebrais;
  • Distúrbios cognitivos associados ao uso e abuso de álcool e/ou outras drogas;
  • Alterações de cognição nos Transtornos de Humor (ex: Depressão) e nos Transtornos de Ansiedade (ex: Transtorno Obsessivo-Compulsivo);
  • Distúrbios cognitivos associados a doenças da tireóide;
  • TDAH (transtorno de déficit de atenção/hiperatividade);
  • Transtornos de Aprendizado e Leitura;
  • Discalculia;
  • Transtorno de Oposição Desafiador;
  • Atraso ou Deficiência Intelectual;
  • Altas Habilidades;

A avaliação neuropsicológica na Doença de Alzheimer (DA) é o principal instrumento para diagnosticar o tipo e a intensidade dos distúrbios de atenção, memória e desempenho intelectual. Assim, permite acompanhar, em exames sucessivos, a progressão mais rápida ou lenta da doença. Com isso, oferece, desde as fases iniciais, efetuar o diagnóstico diferencial entre ela e a depressão, por exemplo.

Para o tratamento do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), o foco é além do diagnóstico, no entendimento mais profundo do caso, para dissipar a possibilidade de se tratar de casos isolados de ansiedade, nervosismo e preocupações. Assim, torna-se viável, além de estimar a intensidade do problema, permitir, em exames sucessivos, o resultado do tratamento.

Além disso, um outro caso comum é na epilepsia. Os pacientes epilépticos podem se queixar de episódios de “desligamentos”, que não são necessariamente de natureza epiléptica. Nesses casos, tais desligamentos podem estar associados à ansiedade, o que pode ser identificado numa avaliação neuropsicológica. 

Os distúrbios da memória em pacientes epilépticos podem relacionar-se com alterações anatômicas ou funcionais de regiões do cérebro associadas à memória ou, então, serem decorrentes de distúrbio de atenção ou ansiedade. Isto é diferenciado pela avaliação neuropsicológica.

Nesse sentido, os pacientes que almejam realizar uma cirurgia de epilepsia precisam ser submetidos e aprovados pela avaliação neuropsicológica. Ela terá como objetivo indicar a possibilidade de sequelas que venham ser provocadas pela intervenção cirúrgica, como perda de memória e da fala.

Quais são os principais testes?

Existem vários testes regulamentados pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP), muito utilizados na Neuropsicologia e por profissionais da Terapia Cognitivo-Comportamental. Para a definição dos testes que melhor se aplicariam à demanda do paciente, é preciso bastante tato e atenção do profissional envolvido.

É importante definir o que será necessário medir para, assim, filtrar um pouco mais a infinidade de testes disponíveis no mercado. Ao dividir os aspectos cognitivos, fica mais fácil escolher de forma assertiva qual combinação será mais funcional.

Sendo assim, seguem alguns testes mais comumente aplicados:

  • TAVIS IV (Teste de Atenção Visual)
  • CPT (Tarefa de Performance Contínua)
  • D-2 Atenção Concentrada
  • AC (Atenção Concentrada)
  • TEDIF (Atenção Difusa)
  • Teste de Nomeação de Boston
  • Teste de Fluência Verbal
  • Token Test
  • TCLPP (Tarefa de Competência de Leitura de Palavras e Pseudopalavras)
  • Subteste Memória Lógica da Wechsler
  • Subtestes Reprodução Visual (RV) I e II da Wechsler
  • Teste de Aprendizagem Auditivo-verbal de Rey
  • Figuras Complexas de Rey
  • Desenho do Relógio
  • Figura Complexa de Rey
  • Teste Gestáltico de Bender
  • WISC-IV e WAIS-III
  • Cubos de Corsi
  • WCST (Teste de Categorização de Cartas Wisconsin)
  • Torre de Londres
  • Torre de Hanoi

Qual é a diferença da neuropsicologia para outras abordagens?

Cada abordagem entende o indivíduo de uma forma, bem como sua forma de se relacionar com os outros e com o meio em que convive. Levando isso em consideração, a visão defendida pela Neuropsicologia é semelhante à da abordagem Cognitivo-Comportamental, pois entende que o indivíduo só pode ser analisado em relação aos seus aspectos cognitivos.

A diferença primordial se dá, de fato, no papel que ela desempenha na prática clínica, visto que é responsável pela avaliação do funcionamento cognitivo e emocional relacionado a alterações cerebrais. 

Outro diferencial da Neuropsicologia é a possibilidade de desenvolver processos de reabilitação de funções superiores, para que a pessoa possa desenvolver autonomia e manter sua qualidade de vida.

A avaliação neuropsicológica é um processo relativamente complexo. Isso porque analisa no maior nível de detalhes possível qual o nível de comprometimento cognitivo do paciente em diversos cenários.

Dessa forma, consegue se munir do maior número de informações necessárias para guiar o profissional quanto às intervenções que melhor se encaixam no plano de tratamento daquele quadro.

Portanto, a avaliação psicológica é uma ferramenta promissora tanto para a elaboração de um diagnóstico mais preciso, como também no estudo dos transtornos e patologias progressivas e na avaliação de resposta à terapêuticas medicamentosas, psicossociais e cirúrgicas.

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